ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Impresso: 1983-5175

Artigo Anterior Próximo Artigo

Tórax e Tronco - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

A reconstrução mamária após a mastectomia total é um procedimento cada vez mais comum, com o advento de novas técnicas de reconstrução por meio de implantes aloplásticos, enxertos e retalhos autólogos. As técnicas mais comumente empregadas em nosso meio são o retalho do músculo grande dorsal, o retalho transverso do reto-abdominal (TRAM) e o DIEP. Os expansores de pele são próteses com um envoltório de elastômero de silicone, porém sem o silicone gel de preenchimento. Nas reconstruções mamárias imediatas, os expansores são posicionados em bolsa submuscular, preferencialmente total, para oferecer uma adequada proteção do expansor de tecido.


OBJETIVO

Descrever as técnicas de reconstrução mamária mais empregadas em um serviço de cirurgia plástica referência em reconstrução mamária e analisar as suas complicações.


MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi realizado de forma retrospectiva, com análise de prontuários médicos das pacientes que tiveram suas mamas totalmente reconstruídas nos últimos 3 anos. Foram tabuladas em Excel e comparadas, de cada paciente, a idade, a raça, a causa da mastectomia, o momento da reconstrução (imediato/ tardio) e as técnicas de reconstrução utilizadas. As complicações encontradas foram correlacionadas com cada variável previamente citada.


RESULTADOS

A idade média das pacientes foi de 48 anos e 9 meses (de 26 a 71 anos). Todos os procedimentos de reconstrução foram realizados por residentes do serviço, totalizando 66 procedimentos de reconstrução mamária. Foram realizadas reconstruções imediatas em 20% dos casos e tardias em 80%, sendo a média de tempo entre a mastectomia total e a reconstrução mamária de 2 anos e 8 meses. As reconstruções mamárias foram realizadas utilizando as seguintes técnicas: grande dorsal com prótese: 16 casos (24,3%), grande dorsal com expansor: 4 (6,1%) casos, retalho local + expansor: 14 (21,3%) casos, fechamento primário com ou sem tração: 5 (7,6%) casos, retalho local + prótese: 12 (18%) casos, TRAM: 13 (19,7%) casos e prótese expansora de Becker com retalho local: 2 (3%) casos. Complicações locais ocorreram em 22,1% dos casos, sendo que algumas complicações acometeram a mesma paciente. Considerando 55 casos de complicações descritas foram identificadas na sequência em ordem decrescente de frequência: deiscência parcial em ferida operatória (FO): 13 (23,63%) casos, sendo 10 em mama, 2 em abdome e 1 em umbigo, epiteliólise de bordas de FO: 8 (14,54%) casos, seroma: 7 (12,72%) casos, sendo 5 em abdome pós-TRAM e 2 em mamas, necrose em FO: 5 (9,09%) casos, retirada de expansor: 4 (7,27% ) casos, sendo 3 por infecção e 1 por recidiva tumoral, alargamento cicatricial: 4 (7,27%) casos, hipertrofia cicatricial: 3 (5,45%) casos em abdome (TRAM), abaulamento abdominal/hérnias de parede abdominal: 3 (5,45%) casos, contratura em pólo superior de mama com depressão axilar: 3 (5,45%) casos, infecção de FO: 2 (3,63%) casos, hematoma em FO abdome (TRAM): 1 (1,8%) caso, retirada de prótese por extrusão: 1 (1,8%) caso, infecção em tela abdominal de TRAM com sepse: 1 (1,8%) caso. As complicações mais comuns evidenciadas por nossa equipe foram: deiscência parcial de FO, epiteliólise de bordas e seroma. Três das pacientes apresentaram contratura em mama. Uma paciente que realizou reconstrução com TRAM teve infecção da tela, evoluindo para sepse. Este paciente permaneceu 2 meses internada e não apresentou qualquer sequela. Observamos contraturas capsulares e extrusão de implante nas técnicas com utilização de material aloplástico. Não foi observada significância estatística entre as complicações clínicas e qualquer variável dependente analisada (p > 0,5).


Figura 1 - Paciente em pós-operatório de TRAM, com abaulamento importante de parede abdominal.


Figura 2 - Pós-operatório tardio de reconstrução mamáría com TRAM apresentando contratura com afundamento em pólo superior de mama esquerda.



CONCLUSÃO

Cada técnica empregada tem sua indicação, contraindicação e complicação e a aplicação de cada técnica deve ser individualizada, baseando-se em características individuais da paciente, a fim de se obter um melhor resultado, com menores riscos de complicações.

 

Artigo Anterior Voltar ao Topo Próximo Artigo

Patrocinadores

Indexadores

Licença Creative Commons Todos os artigos científicos publicados em http://www.rbcp.org.br estão licenciados sob uma Licença Creative Commons