ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Impresso: 1983-5175

Artigo Anterior

Carta ao Editor - Ano 2017 - Volume 32 - Número 1

http://www.dx.doi.org/10.5935/2177-1235.2017RBCP0024

Prezado Editor,

Gostaríamos de elogiar os autores do artigo intitulado "Galactorreia: como abordar essa complicação incomum após mamoplastia de aumento", publicado no último número da Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. O trabalho destaca-se por chamar a atenção de problema endócrino que pode ocorrer após mastoplastia de aumento.

A galactorreia pode ou não estar associada à hiperprolactinemia1-3. A prolactina possui, além do seu papel na lactogênese, funções osmorregulatórias e imunológicas, como modulação de linfócitos T e macrófagos. A sua adequada regulação pode interferir no processo de cicatrização pós-operatória4,5.

Existem causas fisiológicas, patológicas e farmacológicas para a hiperprolactinemia, tais como: gravidez, amamentação, estrogenioterapia, exercício, estresse psicológico, medicações que interfiram no tônus dopaminérgico como anti-histamínicos, anti-hipertensivos e anticonvulsivantes, além do hipotireoidismo primário e adenomas hipofisários.

Um dos estímulos mais importantes da secreção da prolactina em paciente com galactorreia após mamoplastia de aumento é o estímulo mamilar pela distensão abrupta e compressão. Assim, também a irritação ou a lesão da parede torácica por queimadura, herpes zoster e lesão nervosa intercostal têm mecanismo semelhante. Além de descartar gravidez, amamentação e galactocele, como sugerido no algoritmo do artigo.

Contudo, é fundamental a dosagem de prolactina como explicitamos acima, pois é importante na adequação da resposta terapêutica ao agonista dopaminérgico e na investigação de doenças associadas à hiperprolactinemia. A dosagem de TSH para o diagnóstico de hipotiroidismo e a ressonância nuclear magnética da sela túrcica podem ser necessárias.

O cirurgião deve estar atento aos fatores que aumentam risco de infecção do implante, tais como incisão periareolar e presença de coleção ou galactocele ao redor do implante. A associação desses fatores de risco em pacientes com prolactina elevada aumenta a necessidade do uso de agonistas dopaminérgicos, tais como a cabergolina1,3.

Após uma avaliação endócrina e de imagem das mamas normais, em uma paciente com concentrações séricas de prolactina normais que apresente galactorreia após mastoplastia de aumento, a galactorreia pode ser considerada fisiológica e transitória devido ao excessivo estímulo do tecido mamário, apresentando pouca possibilidade de doença subjacente. Nesses casos, a melhor conduta é o acompanhamento médico com o endocrinologista e o cirurgião plástico, com dosagens periódicas da prolactina.


REFERÊNCIAS

1. Basile FV, Basile AR. Diagnosis and management of galactorrhea after breast augmentation. Plast Reconstr Surg. 2015;135(5):1349-56. PMID: 25919249 DOI: http://dx.doi.org/10.1097/PRS.0000000000001156

2. Rosique RG, Rosique MJF, Peretti JP. Postaugmentation galactocele without periareolar incision and 8 years after pregnancy. Plast Reconstr Surg Open. 2016;4(3):e644. DOI: http://dx.doi.org/10.1097/GOX.0000000000000648

3. Yang EJ. Lee KT, Pyon JK, Bang SI. Treatment algorithm of galactorrhea after augmentation mammoplasty. Ann Plast Surg. 2012;69(3):247-9. PMID: 22214792 DOI: http://dx.doi.org/10.1097/SAP.0b013e31822af880

4. Ignacak A, Kasztelnik M, Sliwa T, Korbut RA, Radja K, Guzik TJ. Prolactin--not only lactotrophin. A "new" view of the "old" hormone. J Physiol Pharmacol. 2012;63(5):435-43.

5. Chavez-Rueda K, Hérnández J, Zenteno E, Leaños-Miranda A, Legorreta-Haquet MV, Blanco-Favela F. Identification of prolactin as a novel immunomodulator on the expression of co-stimulatory molecules and cytokine secretions on T and B human lymphocytes. Clin Immunol. 2005;116(2):182-91. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.clim.2005.03.013










Universidade de Brasília, DF, Brasil

Instituição: Universidade de Brasília, DF, Brasil.

Autor correspondente:
Simone Corrêa Rosa
SQS 213 Bloco H Apto 104, Asa Sul
Brasília, DF, Brasil CEP 70292-080
E-mail: scrmacedo@yahoo.com.br

Artigo submetido: 6/8/2016.
Artigo aceito: 30/10/2016.
Conflitos de interesse: não há.


RESPOSTA

Galactorreia: como abordar essa complicação incomum após mamoplastia de aumento
Galactorrhea: how to address this unusual complication after augmentation mammoplasty


Adriana Sayuri Kurogi Ascenço




Primeiramente, agradeço em nome de todos os autores, o elogio referente ao trabalho intitulado "Galactorréia: como abordar essa complicação incomum após mamoplastia de aumento", publicado no último número da Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.

A carta de autoria do Dr Jefferson Lessa Soares de Macedo destaca pontos importantes na abordagem da galactorréia como a detecção de fatores de riscos pré e intra-operatórios, evidenciando que, na maioria dos casos, a galactorreia é fisiológica e transitória, com níveis de prolactina normais, ocasionada pela distensão abrupta do tecido mamário. A orientação para dosagem dos hormônios tireoideanos (T3, T4 e TSH), além da prolactina, é um dado importante que deveria ser acrescentado ao algoritmo de investigação, já que o hipotireoidismo primário pode ser um dos fatores de risco para tal complicação.

Não está bem clara a conduta sugerida pelos autores para o uso dos inibidores da lactação. Acreditamos que, mesmo em casos de galactorréia fisiológica, com níveis de prolactina normais, o uso dessas medicações seria benéfico por inibir a produção lactífera, pois diminuiria o tempo de drenagem e provavelmente o risco de contaminação e contractura capsular.

A excelente carta acrescenta dados importantes para o manejo dessa complicação e contribui para uma abordagem mais completa no diagnóstico e no tratamento da galactorréia após mamoplastias de aumento. Agradecemos pela contribuição.










Hospital de Clínicas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil

 

Artigo Anterior Voltar ao Topo

Patrocinadores

Indexadores

Licença Creative Commons Todos os artigos científicos publicados em http://www.rbcp.org.br estão licenciados sob uma Licença Creative Commons