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Editorial - Ano 2013 - Volume 28 - Número 3

Os últimos anos têm nos ofertado múltiplos conceitos inovadores em termos de divulgação das ciências médicas, buscando aperfeiçoar as maneiras pelas quais as informações científicas são analisadas e valorizadas. Este foi o conceito básico trazido pela medicina baseada em evidências: tornar possível a categorização de um estudo em função de seu potencial para aplicação da informação obtida diretamente em nossos pacientes. A utilização dos resultados de pesquisas em benefício do paciente é, finalmente, o objetivo primordial de qualquer estudo.

Seguindo esse raciocínio, estudos que não envolvem seres humanos vivos, como aqueles de bancada, experimentais ou anatômicos, são considerados de baixo potencial de evidência científica, uma vez que não há transposição direta dos resultados para a utilização imediata em benefício do paciente.

Mas será essa uma verdade absoluta?

A resposta é não, certamente. O conceito da medicina baseada em evidências, nesse particular, não deve ser visto com radicalidade. Existe a possibilidade de aplicação direta de certos achados científicos obtidos em outras áreas na prática clínica.

A transferência do conhecimento obtido em outras áreas das ciências ou mesmo das experiências de bancada para atuação clínica do médico criou um novo paradigma na pesquisa científica: a medicina translacional.

Novamente e semelhante aos conceitos de medicina baseada em evidências, a medicina translacional busca oferecer ao paciente do sistema de saúde melhor qualidade em termos de tratamento e desfecho de resultados.

A medicina translacional inova ao agregar vantagens ao desenvolvimento das pesquisas na atualidade, respeitando todos os preceitos da ética em pesquisa, e permite reduzir a necessidade do médico em se aprofundar em detalhes menos relevantes da pesquisa básica e poder focar nos objetivos do tratamento; simultaneamente, o pesquisador básico se exime da necessidade do conhecimento teórico especializado, muitas vezes irrelevante para ele1-3. Também aproxima áreas em diferentes estágios de desenvolvimento: em muitos casos há situações em que a pesquisa de bancada se encontra extremamente avançada em comparação aos estudos clínicos e a medicina translacional pode aproximar os dois braços de pesquisa. Igualmente, tecnologias em desenvolvimento podem ser mais rapidamente aplicadas, por exemplo, em procedimentos cirúrgicos.

O objetivo primordial é, e sempre será, trazer à tona os achados mais relevantes, de forma rápida e confiável.

Por meio da medicina translacional é possível conhecer de forma eficiente a fisiopatologia das doenças, bem como favorecer o desenvolvimento de novas drogas e sua aplicação clínica, acelerando a transmissão do conhecimento e a criação de protocolos terapêuticos. Com a aplicação de esforços conjuntos tornar-se-á mais célere a obtenção de resultados práticos, seja para tratamentos clínicos, cirúrgicos ou desenvolvimento de tecnologia na área médica.

Aestrutura necessária para aplicação da medicina translacional envolve também mudanças nos conceitos do ensino médico. Isso implicará maior colaboração entre diferentes cursos e disciplinas (como cursos de química, física, engenharia, etc.) e a participação do estudante em pesquisas transdisciplinares. A inclusão curricular desse conceito deverá ocorrer brevemente, em paralelo às mudanças já existentes em diversos cursos médicos. A tendência de cursos médicos com maior foco em conhecimentos práticos (hoje conhecidos como PBL - problem-based learning) vai ao encontro desse novo conceito de maior rapidez na transferência de informações do laboratório à prática clínica.

Dov Goldenberg
Coeditor


REFERÊNCIAS

1. Bonela DP. A importância da Medicina Translacional. Academia Brasileira de Ciências online. Disponível em: http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=2503

2. Wendler MC, Kirkbride G, Wade K, Ferrell L. Translational research: a concept analysis. Res Theory Nurs Pract. 2013;27(3):214-32.

3. Brynne L, Bresell A, Sjögren N. Effective visualization of integrated knowledge and data to enable informed decisions in drug development and translational medicine. J Transl Med. 2013;11:250.

 

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