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Tórax e Tronco - Ano 2011 - Volume 26 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

A mamoplastia após grandes perdas ponderais, especialmente após cirurgias bariátricas, é um grande desafio para os cirurgiões plásticos. Neste tópico, devido à grande variabilidade de apresentação das pacientes, muitas manobras e táticas cirúrgicas já foram descritas.


OBJETIVO

Demonstrar a evolução das técnicas de mamoplastia em um centro de referêcia nacional de reconstrução do contorno corporal após grandes perdas ponderais.


MÉTODOS

Realizada avaliação retrospectiva do arquivo fotográfico e boletins operatórios de pacientes submetidas a mamoplastias no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Federal de Ipanema.


RESULTADOS

Na análise, podemos observar que o serviço passou por 3 fases. Fase 1: Emprego de técnicas de mamoplastia reducional ou mastopexia associada ao uso de retalhos locais, usando derme, gordura e tecido mamário. Nesta fase, apesar de obtermos boas formas das mamas, grande parte das mamas perdeu o volume do cone mamário com o passar dos meses (Figura 1). Fase 2: Uso de implantes mamários. Inicialmente, os implantes eram usados em casos secundários de mamoplastia com retalhos locais, que tiveram perda do volume mamário (Figura 2). Depois, casos primários foram operados usando técnicas de mamoplastia reducional ou mastopexia associada à inclusão de implantes mamários de silicone. Nesta fase, observa-se melhora no contorno e no volume mamário, com maior durabilidade do resultado (Figura 3). Fase 3: Uso combinado de mamoplastia reducional ou mastopexia com retalhos locais e inclusão de próteses. Neste estágio, as técnicas de mamoplastia e mastopexia conjugaram o uso de retalhos locais de base inferior recobrindo as próteses (Figura 4).


Figura 1 - Mastopexia com retalhos sem implantes: retalho abdome superior.


Figura 2 - Mastopexia secundária com implantes.


Figura 3 - Mastopexia com implantes sem retalhos.


Figura 4 - Mastopexia com implantes e retalhos: retalho de base com implante de 170 ml, perfil baixo.



DISCUSSÃO

Avaliando as três estratégias usadas ao longo destes anos, individualizamos o tratamento baseado nas vantagens e desvantagens de cada abordagem. Mamoplastias sem implantes usando retalhos locais têm a vantagem de ser um procedimento com menor custo e não ter a morbidade dos implantes, mas a manutenção da forma e volume a longo prazo é comprometida por flutuações do peso da paciente e por alterações de remodelação cicatricial dos retalhos. Indicamos em pacientes que recusam o uso dos implantes e buscam mais conforto do que um contorno corporal otimizado, especialmente em pacientes com mais idades e comorbidades associadas. Mamoplastias com implantes sem uso de retalhos locais proporcionam resultados mais duradouros no volume da mama, mas é um procedimento mais oneroso e com mais morbidade. Indicamos para as pacientes que priorizam resultados estéticos mais duradouros, principalmente mais jovens, sem comorbidades. Mamoplastias com implantes e com retalhos locais de base inferior têm várias vantagens: fixam a prótese levando à menor descida desta e, como recobrem a prótese, diminuem a demarcação do contorno da prótese, além disso, o sulco inframamário não é violado, mantendo o volume da mama acima deste sulco, não causando ptose do cone mamário. O inconveniente é que nem todas as mamas apresentam tecido suficiente para se conjugar o uso de retalhos locais e implantes mamários.


CONCLUSÃO

A análise dos resultados obtidos com as técnicas de mamoplastia após grandes perdas ponderais no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Federal de Ipanema levou à conclusão de que as técnicas de mamoplastia/mastopexia, com ou sem implante, devem ter sua indicação individualizada, levando-se em consideração a expectativa da paciente e a anatomia das mamas a serem tratadas, não existindo uma técnica universal que possa tratar todos os casos.

 

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