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Tórax e Tronco - Ano 2011 - Volume 26 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Nos casos de correção da hipomastia primária, além de uma mudança estética, são descritas algumas alterações na sexualidade dessas pacientes no pós-operatório, melhorando a qualidade de vida daquelas mulheres que apresentam algum tipo de disfunção sexual. A utilização de um instrumento para medida de sexualidade, que mostra de forma objetiva o impacto de um tratamento cirúrgico, sob a percepção da própria paciente, é um reflexo verdadeiro da opinião da mesma sem a interferêcia do corpo clínico. Esse instrumento oferece um método confiável e válido para avaliar o impacto da cirurgia na saúde do paciente e, em particular, na cirurgia plástica, onde o componente psicológico é muito importante para a avaliação dos resultados pós-operatórios.


OBJETIVO

A proposta deste estudo é avaliar a atividade sexual em pacientes submetidas à mamoplastia de aumento utilizando implantes de silicone, por meio da aplicação do questionário Quociente Sexual - Versão Feminina (QS-F). Esta investigação contribui para a identificação de parâmetros de evolução da qualidade de vida destas pacientes.


MÉTODO

As pacientes foram selecionadas no ambulatório de Cirurgia Plástica do setor de Deformidades Mamárias do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo. Aquelas que preencheram os critérios adotados, e que espontaneamente aceitaram participar do estudo, após assinarem do termo de consentimento livre e esclarecido, foram encaminhadas para preenchimento do questionário QS-F. O Quociente Sexual - Versão Feminina (QS-F) é um instrumento que avalia os vários domínios da atividade sexual da mulher (desejo, excitação, orgasmo e seus respectivos correlatos psicofísicos); é composto por 10 questões, referentes a tais domínios da atividade sexual, cada qual foi respondida numa escala de 0 a 5. Multiplica-se o resultado por dois, o que resulta num índice total que varia de 0 a 100, sendo que a sétima questão requer tratamento diferente (o valor de 0 a 5 deve ser subtraído de 5 para se ter o escore final da questão). Foram incluídas pacientes do sexo feminino; idade entre 18 e 45 anos; índice de massa corporal entre 17,5 e 25; desejo de cirurgia de correção de deformidades mamárias, com inclusão de implantes; pacientes com desenvolvimento completo dos caracteres sexuais secundários e menarca há mais de dois anos. Serão excluídas pacientes com doenças crônicas descompensadas; pacientes com ptose mamária grau II ou III; pacientes que estiverem amamentando, ou amamentaram há menos de 6 meses; pacientes com gestação confirmada. Na fase pré-operatória, as pacientes participantes foram avaliadas pelas equipes de cirurgia plástica do Hospital São Paulo, conforme a sequêcia descrita abaixo. Todas as informações obtidas foram anotadas em uma ficha cadastral individualizada por paciente: coleta de dados sociodemográficos, avaliação clínica, documentação fotográfica, aplicação de questionário de atividade sexual QS-F. A avaliação pós-operatória foi realizada no ambulatório de Cirurgia Plástica, onde ocorreu a aplicação do questionário de atividade sexual QS-F ao final do segundo mês pós-operatório, repetindo-o ao final do quarto mês pós-operatório. O teste não-paramétrico de Friedmann foi aplicado, comparando-se as frequêcias dos diferentes coeficientes médios obtidos com a aplicação do questionário. O teste de qui-quadrado foi utilizado para comparação das frequêcias do QS-F observadas entre os grupos. O valor de significância estatística estabelecido foi de 5%.


Figura 1 - Resultados obtidos após aplicação do questionário QS-F.


Figura 2 - Resultados: teste de Friedman comparando amostras múltiplas relacionadas.



RESULTADOS

O grupo de estudo foi composto inicialmente por 47 pacientes com hipomastia primária, com idade entre 18 e 51 anos (média = 26,04 anos). Nos questionários de pós-operatório de dois meses, duas pacientes não o responderam, e no quarto mês pós-operatório, uma das pacientes não respondeu ao questionário, sendo esta considerada na estatística e seu questionário avaliado como "Nulo ou Ruim", ou seja, o pior resultado possível dentro da análise do coeficiente sexual. Não foram identificadas diferenças significantes quanto às frequêcias dos coeficientes sexuais entre os períodos pré-operatório e pós-operatório de mamoplastia de aumento nos períodos de dois e quatro meses (Figuras 1 e 2; Teste de qui quadrado, p= 0,4).


CONCLUSÃO

A correção da hipomastia primária com próteses não está associada a mudanças na sexualidade dessas pacientes no período pós-operatório de dois e quatro meses.

 

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