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Tórax e Tronco - Ano 2011 - Volume 26 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

As reconstruções mamárias, além de devolverem a forma anatômica das mamas, auxiliam o desenvolvimento do bem-estar e autoestima das mulheres submetidas à mastectomia. Em decorrêcia da incidêcia crescente do câncer de mama, o segundo tipo mais frequente de câncer nas mulheres, ele permanece como principal indicação para mastectomia. Atualmente, a mastectomia profilática ou redutora de risco, apesar de controversa, tem cada vez mais sido indicada, no sentido de reduzir a incidêcia da doença, removendo a maior parte do tecido mamário. Este trabalho propõe a utilização da técnica de reconstrução mamária com retalho do músculo peitoral maior associada a um retalho dermogordurosoglandular inferior com inclusão de implante de silicone, permitindo uma loja adequada, com menor risco de extrusão e sem morbidade em sítio doador.


OBJETIVO

Demonstrar técnica alternativa para reconstrução mamária.


MÉTODOS

O retalho dermogordurosoglandular só deverá ser usado após análise conjunta do mastologista, com sua concordância pela manutenção deste tecido, visando à segurança oncológica para cada paciente, individualmente. Devemos considerar a localização do tumor, lesões suspeitas, presença de microcalcificações ou outras doenças no pólo inferior da mama. Devemos ainda valorizar a viabilidade nutricional do retalho, o tecido mamário remanescente, seja pele, complexo aréolo-papilar (CAP) ou tecido subcutâneo. A equipe de Mastologia inicia o procedimento cirúrgico definindo previamente o que será removido. Fazemos o planejamento da reconstrução confeccionando o retalho de pedículo inferior, similarmente ao descrito por Liacyr Ribeiro, com base na largura da mama e com cerca de 2 cm de espessura. Este retalho cobrirá todo o pólo inferior da mama. O músculo grande peitoral é liberado de suas origens no gradil costal e parte distal do esterno, sendo descolado até os limites superiores da mama. Realizamos uma hemostasia rigorosa. Os retalhos obtidos formarão o teto da "loja" que receberá o implante mamário. Após sua inclusão, procedemos à sutura da porção caudal desinserida do músculo peitoral à borda superior do retalho dermogordurosoglandular com fio absorvível, revestindo toda a prótese, inclusive nas suas porções lateral e medial. O implante, portanto, terá cobertura submuscular nos dois terços superiores, sendo o terço inferior coberto pelo retalho descrito. Drenos de sucção são utilizados com frequêcia. No final, reposicionamos o revestimento cutâneo, retirando eventuais excessos. Por meio de procedimento relativamente rápido e com menor morbidade, nos casos em que a técnica foi utilizada, obtivemos resultados com altos índices de satisfação, tanto pela paciente como pela equipe médica assistente.


RESULTADOS

A reconstrução mamária persiste como um dos pilares centrais no tratamento do câncer de mama e após mastectomias profiláticas, fazendo parte do resgate da autoestima e da integração social e familiar da paciente operada. A mastectomia profilática, cuja indicação será da equipe de Mastologia em concordância com a paciente, tem grandes vantagens: redução do risco de câncer de mama por remover a maior parte do tecido glandular mamário; traz uma tranquilidade emocional para paciente, reduzindo ansiedade, o temor de desenvolver um câncer oculto, especialmente naquelas com história familiar ou pessoal positiva, e ainda reduz o estresse relacionado à vigilância constante; tem a vantagem da redução dos custos, diminuindo a realização de mamografias seriadas. O retalho do músculo peitoral maior estendido com retalho dermogordurosoglandular de pedículo inferior surge como uma alternativa no arsenal do cirurgião plástico para as reconstruções de mama, objetivando o alongamento da loja submuscular, substituindo o já descrito implante alodérmico por tecido autólogo local. A técnica habitualmente demanda tempo cirúrgico reduzido, com uma loja adequada para colocação do implante, sem tensão excessiva, atenuando a projeção deste nos pólos superior ou inferior, com menor risco de migração cefálica deste. O maior revestimento proporciona proteção aos implantes em caso de necroses ou deiscêcias, e ainda um menor risco de extrusão da prótese pela interposição de tecido com vascularização independente entre o implante e a pele. Diminuindo, assim, o risco de ondulações e contratura capsular. O retalho proposto tem vantagem ainda de não acarretar morbidade em sítio doador, recuperação prolongada, fraqueza músculo-aponeurótica ou uso de expansores, além de proporcionar resultados estéticos extremamente satisfatórios, naturais e duradouros. Sua utilização é limitada, quando a base do pedículo inferior é muito alta e em mamas muito pequenas. A radioterapia adjuvante pode comprometer a utilização desta técnica. Ressaltamos que o mesmo só deverá ser utilizado quando houver concordância do mastologista para a permanêcia deste tecido.


CONCLUSÃO

O retalho dermogordurosoglandular de pedículo inferior é facilmente exequível, não determina nenhuma morbidade à distância, proporcionando bons resultados estéticos, surgindo como uma alternativa útil, em pacientes selecionados, nas reconstruções mamárias.

 

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