ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Impresso: 1983-5175

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Artigo Original - Ano 2010 - Volume 25 - Número 3

RESUMO

Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar as condutas adotadas, os resultados obtidos e as conclusões, do tratamento das dismorfias mamárias, do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, de Joinville, Santa Catarina. Método: Foram consultadas e incluídas na lista de espera da cirurgia de redução mamária, 664 pacientes. Dentre essas pacientes, 356 foram submetidas à cirurgia no período de abril de 2005 a outubro de 2009. Resultados: São relatados os tipos mamários encontrados e o tratamento proposto, assim como a média dos volumes retirados por mama. Conclusão: Há necessidade do diagnóstico preciso e da correta indicação da técnica cirúrgica.

Palavras-chave: Mamoplastia/métodos. Mama/anormalidades. Mama/cirurgia.

ABSTRACT

Objective: The present paper has as objective to introduce the adopted conducts, the obtained results and the conclusions, of the treatment of mammary dismorphy, of the Plastic Surgery Service of Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, of Joinville, Santa Catarina. Methods: 664 patients were analysed and 356 of them were submitted to the surgery in the period of April/2005 to the October/2009. Results: It related the mammary types and the proposed treatment. Conclusion: There is need to precise diagnosis and the surgical technique correct indication.

Keywords: Mammaplasty/methods. Breast/abnormalities. Breast/surgery.


INTRODUÇÃO

O Ambulatório de Cirurgia Reparadora das Mamas do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Regional Hans Dieter Schimidt iniciou suas atividades em abril de 2005, tendo como objetivo o atendimento e o tratamento de pacientes portadoras de hipertrofia mamária e gigantomastia.

Até então, essas pacientes não tinham atendimento ou perspectivas de terem seus problemas solucionados. Com o início do atendimento, centenas de pacientes passaram a ter oportunidade de serem submetidas às cirurgias redutoras das mamas, sem custo financeiro algum, já que a totalidade dessas pacientes pertence às classes mais carentes de nossa sociedade.

O objetivo do presente estudo foi demonstrar os tipos mamários encontrados nesta série de pacientes, as técnicas utilizadas, assim como os resultados obtidos.


MÉTODO

Foram incluídas nesse trabalho, 356 pacientes submetidas a mamaplastia redutora, no período de abril de 2005 a outubro de 2009. As pacientes tiveram suas mamas classificadas de acordo com a classificação proposta pelo autor (Tabela 1). As técnicas cirúrgicas utilizadas seguiram essa classificação1-9. Foram excluídos do estudo, os casos indicados para mastopexia e/ou mamaplastia pós-gastroplastia.




Foram solicitados exames pré-operatórios de rotina (hemograma completo, coagulograma, glicemia, eletrocardiograma e avaliação anestesiológica). Foram realizadas, também, ultrassonografia mamária ou mamografia, nos casos de histórico familiar de câncer relatados, ou em casos de informações de nódulos mamários presentes ou suspeitos.

Em todos os casos, o produto da ressecção mamária foi enviado para estudo anatomopatológico. Para todas as pacientes foram prescritos antibióticos profiláticos no ato anestésico (Cefazolina 2g), e por mais cinco dias por via oral (cefalexina 500 mg, 4 x ao dia por 5 dias).

Em todos os casos, foram utilizados drenos de Penrose, por 2 dias, sendo esses retirados previamente à alta hospitalar. As pacientes retornaram ao Ambulatório no 5º dia, para a retirada do curativo de Brown - enxerto do complexo areolo-mamilar (CAM) e no 10º dia, retirada dos pontos do CAM nas mamaplastias convencionais. Outros retornos foram agendados nos 30, 60 e 90 dias de pós-operatório, quando foram realizadas fotografias dos resultados da cirurgia.

Os procedimentos anestesiológicos variaram de paciente a paciente. Foram utilizadas as anestesias: peridural torácica, geral inalatória e geral endovenosa com assistência ventilatória. Todas as pacientes foram documentadas fotograficamente no pré e no pós-operatório. A programação cirúrgica seguiu rigorosamente uma escala de agendamento, de acordo com a data da primeira consulta, já que todas as pacientes foram enquadradas no mesmo grau de gravidade da sintomatologia, apesar de apresentarem mamas de formas e volumes diferentes.


RESULTADOS

Os volumes ressecados por mama variaram de 572g a 3,200g, com média de 1886g. Os resultados obtidos em algumas pacientes dessa casuística estão demonstrados nas Figuras 1 a 15.


Figura 1 - Paciente com mama tipo 4 A pré/pós ântero-posterior.


Figura 2 - Paciente com mama tipo 4 A pré/ pós oblíquo direito.


Figura 3 - Paciente com mama tipo 4 A pré/pós oblíquo esquerdo.


Figura 4 - Paciente com mama tipo 4 B pré/pós ântero-posterior.


Figura 5 - Paciente com mama tipo 4 B pré/pós oblíquo direito.


Figura 6 - Paciente como mama tipo 4 B pré/pós oblíquo esquerdo.


Figura 7 - Paciente com mama tipo 5 B pré/pós ântero-posterior.


Figura 8 - Paciente com mama tipo 5 B pré/pós oblíquo direito.


Figura 9 - Paciente com mama tipo 5 B pré/pós oblíquo esquerdo.


Figura 10 - Paciente com mama tipo 5 A pré/pós ântero-posterior.


Figura 11 - Paciente com mama tipo 5 A pré/pós oblíquo direito.


Figura 12 - Paciente com mama tipo 5 A pré/pós oblíquo esquerdo.


Figura 13 - Paciente com mama tipo 6 pré/pós ântero-posterior.


Figura 14 - Paciente com mama tipo 6 pré/pós oblíquo direito.


Figura 15 - Paciente com mama tipo 6 pré/pós oblíquo esquerdo.



As principais complicações observadas foram:

  • Deiscências de sutura na junção do CAM com a cicatriz vertical - 5 casos;
  • Deiscências da sutura do T - 10 casos;
  • Perda total do enxerto do CAM unilateral - 2 casos;
  • Perda parcial do enxerto do CAM - 5 casos;
  • Hematoma com necessidade de evacuação de urgência - 1 caso;
  • Cicatrizes quelóides - 2 casos.



  • DISCUSSÃO

    O grande volume mamário causa, às portadoras dessa afecção, inúmeros problemas, como dores crônicas e intratáveis, nas colunas cervical e dorsal; dificuldades de realizar atividades diárias, no trabalho, esporte ou mesmo para encontrar vestes (roupas íntimas e de banho) apropriadas.

    Essas pacientes sentem-se excluídas do convívio social e também das atividades comuns no trabalho, prejudicando sua qualidade de vida. Adotamos uma classificação própria para as diversas formas mamárias e uma conduta para cada tipo específico, adotando técnicas já consagradas1-9. Tivemos pacientes com idades muito díspares, desde adolescentes, até pacientes na menopausa, no entanto, todas tinham queixas semelhantes. A cirurgia redutora das mamas foi a indicação de tratamento para todas as pacientes.


    CONCLUSÕES

    Os resultados comprovam a importância da indicação cirúrgica e da técnica mais adequada. As cirurgias mamárias exigem um diagnóstico preciso, para cada tipo em particular. Cada paciente apresenta um tipo diferente de mama e, desse modo, uma tática ou técnica cirúrgica diferente deve ser indicada. O cirurgião plástico que se propõe a realizar esses tipos de procedimentos deve ter amplo domínio das várias técnicas e táticas cirúrgicas, para poder alcançar os melhores resultados possíveis, não importando se a paciente é portadora de hipertrofia mamária ou gigantomastia.


    REFERÊNCIAS

    1. Peixoto G. Reduction mammaplasty: a personal technique. Plast Reconst Surg. 1980;65(2):217-26.

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    4. Ribeiro L, Backer E. Mastoplastia com pedículo de seguridad. Rev Esp Cirurg Plast. 1973;6:223.

    5. Thorek M. Plastic reconstruction of the breast and free transplantation of the nipple. J Intern Coll Surg. 1946;9.

    6. Ariê G. Nova técnica em mamaplastia. Rev Lat Am Cir Plast. 1957; :28.

    7. Ely JF. The devil's incision mammoplasty. Aesthetic Plast Surg. 1983;7(3):159-62.

    8. Bozola. Sistematização tática da mamaplastia em L. Florianópolis:Anais da I Jornada Sul-brasileira de Cirurgia Plástica;1984.

    9. Marino H. La mama. Buenos Aires:Editorial Cientifica Argentina;1957.










    1. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgião Plástico; Cirurgião Plástico do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt de Joinville, Joinville, SC, Brasil.

    Correspondência para:
    Fernando Sanfelice André Rua Osvaldo Cruz 128 - Boa Vista
    Joinville, SC, Brasil - CEP 89205-240
    E-mail: sanfi@brturbo.com.br

    Artigo recebido: 29/10/2009
    Artigo aceito: 27/4/2010

    Trabalho realizado no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, Joinville, SC, Brasil

    Artigo submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBCP

     

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