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Geral - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

O refinamento das técnicas de microcirurgia proporcionou a ampliação da indicação de retalhos livres para a população pediátrica. Além das indicações habituais, como reconstrução pós-trauma e ressecções oncológicas, a correção de defeitos congênitos reafirmou a viabilidade do uso da microcirurgia em crianças. Habilidade técnica apurada e maior complexidade são os desafios nessa população, porém pacientes com maior reserva funcional, sem comorbidades significativas, com melhor cicatrização e plasticidade neuronal fazem com que a taxa de sucesso seja maior se comparada aos adultos, sendo descritos como pacientes ideais.


OBJETIVO

Demonstrar a aplicabilidade da técnica microcirúrgica na população pediátrica, indicações e complicações.


MATERIAL E MÉTODOS

De fevereiro de 2006 a maio de 2010, foram realizados 106 retalhos microcirúrgicos em nosso serviço, destes foram selecionados 10 casos de reconstrução em menores de 16 anos. Foram analisados: idade, diagnóstico histológico, uso de radioterapia e quimioterapia prévias, tipo de retalho utilizado, complicações e procedimentos subsequentes, quando necessários.


RESULTADOS

Os resultados de nossa casuística são apresentados em tabela. A indicação de retalhos microcirúrgicos, bem como a segurança e viabilidade do uso destes retalhos já está bem definida na literatura. Apesar disto, o uso de retalhos livres em crianças ainda é protelado, devido à maior dificuldade técnica e anseio em indicar um procedimento considerado mais complexo. Além das indicações habituais, como reconstrução pós-trauma e ressecções oncológicas, na infância ampliamos o uso para correção de defeitos congênitos, especialmente craniofaciais e mãos, e anastomoses vasculares em transplantes de órgãos. Pacientes pediátricos usualmente não apresentam comorbidades, ocorrendo maior preservação da anatomia, observa-se maior plasticidade neuronal e cicatrização. A reserva funcional é superior à encontrada em adultos. Equipe multidisciplinar familiarizada com procedimentos complexos em crianças é fundamental. Por se tratarem de pacientes menores de idade, o binômio criança-pais deve ser abordado em conjunto, informando os reais objetivos e potenciais complicações. Nossa casuística compreende apenas casos de reconstrução pós-ressecções oncológicas por ser o hospital de referência em oncologia em nosso estado. Perda total do retalho foi observada em apenas um caso. Complicações menores como infecção ferida operatória (1 caso) e alterações na qualidade da cicatrização (2 casos).


Figura 1 - Caso 3: pré-operatório.


Figura 2 - Caso 3: intra-operatório.


Figura 3 - Caso 3: intra-operatório.



CONCLUSÃO

Crianças são o grupo ideal para reconstruções microcirúrgicas. As razões são: higidez, anatomia preservada, maior reserva funcional, plasticidade neuronal superior e cicatrização satisfatória. A complexidade superior na execução dos retalhos não deve ser proibitiva na indicação da reconstrução.

 

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