ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Impresso: 1983-5175

Artigo Anterior Próximo Artigo

Tórax e Tronco - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

A abdominoplastia é uma das cirurgias plásticas mais comumente realizada atualmente. Além da remoção da pele e gordura excedentes, em boa parte dos procedimentos associa-se a correção da diástase de músculo reto-abdominal e a plicatura da aponeurose do músculo oblíquo externo. A tensão provocada pelas suturas das plicaturas, somada à pressão exercida pela cinta abdominal, levará ao aumento da pressão intra-abdominal, o que poderá diminuir a função ventilatória. Além disso, outros fatores decorrentes do ato operatório podem alterar a função respiratória, como limitação ventilatória causada pela dor pós-operatória, administração de drogas anestésicas e a própria anestesia, posição de Fowler exigida no pós-operatório, assim como a relativa imobilidade no pós-operatório precoce.


OBJETIVO

Avaliar as alterações no exame espirométrico após a realização da abdominoplastia.


MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de um ensaio clínico, intervencional, prospectivo e controlado, realizado em centro único. Foram selecionadas no estudo, 8 pacientes consecutivas atendidas no ambulatório de Cirurgia Plástica Abdominal da UNIFESP, do sexo feminino que apresentaram deformidade abdominal, tipo III de Nahas, que são aquelas na qual está indicada a ressecção de pele e tecido subcutâneo entre a cicatriz umbilical e a região pubiana; e tipo B de Nahas, ou seja, aquelas que apresentam diástase do músculo reto-abdominal secundária a gravidez e que, mesmo após a plicatura da aponeurose anterior, ainda apresenta flacidez da camada músculoaponeurótica e está indicada a plicatura da aponeurose do músculo oblíquo externo. As pacientes foram submetidas à abdominoplastia com técnica padronizada. Todos os procedimentos foram realizados sob anestesia geral. O relaxante muscular utilizado foi o Brometo de Pancurônio 0,3ml/ kg do peso corporal na indução e 0,15ml/kg por hora para manutenção. O procedimento inicia-se através de uma incisão suprapúbica, estendendo-se lateralmente até as cristas ilíacas anteriores. O retalho dermogorduroso do abdome foi dissecado da musculatura subjacente (músculo reto do abdome e oblíquos externos) com isolamento do umbigo. A diástase dos músculos retos do abdome foi corrigida, e é realizada ainda a plicatura em forma de L na aponeurose do oblíquo externo. A síntese cirúrgica foi realizada por planos após ressecção do excesso dermogorduroso e da exteriorização do umbigo. Foi solicitado à paciente que seja utilizasse uma única marca de cinta e o tamanho adequado relativo a cada paciente. Foi realizada uma avaliação respiratória e espirométrica pré-operatória e outras três no período pós-operatório: a primeira no segundo pós-operatório, a segunda no sétimo, a terceira no décimo quinto. A espirometria foi realizada em ambiente calmo, sem interferência externa e os valores serão corrigidos pelo espirômetro para temperatura e umidade. O paciente permaneceu sentado durante os testes utilizando um clipe nasal para que não haja escape de ar. Foram orientados a permanecer um período anterior ao teste em repouso. O procedimento foi explicado detalhadamente para que fossem feitas as manobras de expiração forçada seguida de inspiração profunda e respirações naturais. Foram apresentadas nos exames as curvas de volume-tempo e fluxo-volume. Os parâmetros da espirometria analisados foram: CVF, VEF1, PFE, FEF 2575%,CV, CI, VEF1/CVF e VVM.


RESULTADOS

Os valores médios de CVF, CV, FEF, VEF1, PFE, CI e VVM apresentaram importante queda no 2º pós-operatório, tendência a melhora no 7º e aproximação dos valores pré-operatórios no 15º dia. Esses resultados apresentaram significância estatística (p < 0,03), com exceção, da CI. A medida do VEF1/CV não se alterou durante o período avaliado. O VEF1 apresentou enorme variação da medida pré-operatória para o 2º pósoperatório (valor Z 12,45), se aproximando do valor pré-operatório no 15º pós-operatório (valor Z 4,74).




CONCLUSÃO

Neste estudo, foi possível concluir que a função respiratória apresenta uma piora no 2º dia pós-operatório, com os valores tendendo à normalidade no 15º dia pós-operatório.

 

Artigo Anterior Voltar ao Topo Próximo Artigo

Patrocinadores

Indexadores

Licença Creative Commons Todos os artigos científicos publicados em http://www.rbcp.org.br estão licenciados sob uma Licença Creative Commons