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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

O trauma é um problema de saúde pública, líder entre as causas de morbimortalidade nos pacientes jovens do Brasil. Diversos autores ressaltam que o trauma facial geralmente associase a outras lesões nos mais diversos segmentos corporais. Tais lesões, em muitos casos, são mais graves que o trauma facial em si, devendo o paciente, portanto, ser rigorosamente avaliado e tratado, conforme preconiza o Suporte Avançado de Vida no Trauma.


OBJETIVO

Delinear a incidência e o perfil das lesões associadas encontradas nos pacientes com fraturas faciais atendidos em nossa instituição.


MATERIAL E MÉTODOS

Foi realizado um estudo prospectivo, descritivo envolvendo os 158 casos de pacientes com fraturas faciais atendidos pelo Setor de Cirurgia Crânio-Maxilo- Facial da Disciplina de Cirurgia Plástica do Departamento de Cirurgia do Hospital e Maternidade Celso Pierro da PUC-Campinas, no período entre abril de 2007 e maio de 2010. Os pacientes foram previamente atendidos por uma equipe de emergencistas, sendo posteriormente solicitada avaliação do cirurgião plástico. As informações necessárias para a realização deste estudo foram obtidas diretamente de um protocolo padrão. Todos os pacientes foram acompanhados no Ambulatório de Cirurgia Plástica com consultas periódicas. Foram avaliadas as seguintes variáveis contidas no protocolo: data de admissão no serviço, sexo, idade, causa do trauma, fatores de risco associados (uso de bebidas alcoólicas, de drogas ou de medicamentos e uso de dispositivos de proteção individual, como cinto de segurança ou capacete), presença de traumatismos associados às lesões faciais.


RESULTADOS

Predominaram pacientes do sexo masculino (121 casos, 76,6%), o que prevaleceu também entre os pacientes que apresentaram lesões associadas (31 homens, 81,6% e 7 mulheres, 18,4%). A idade variou de 8 a 84 anos, média de 36,22 anos, sendo 80% com idade entre 17 e 60 anos. Quanto aos mecanismos de trauma, encontramos: 41 (25,9%) quedas, 36 (22,8%) acidentes motociclísticos, 30 (19%) casos de agressão, 14 (8,9%) contusões acidentais, 12 (7,6%) atropelamentos, 11 (7%) acidentes de bicicleta, 10 (6,3%) acidentes automobilísticos e 4 (2,5%) ferimentos por projétil de arma de fogo (FPAF). Todos acima, exceto a contusão acidental, apresentaram casos de pacientes com fratura em face associada a pelo menos uma lesão em outros segmentos corporais, totalizando 38 casos, predominando as vítimas de acidente motociclístico (14 casos, 36,8%). Com relação aos fatores de risco, 40 (25,3%) pacientes ingeriram bebida alcoólica e 20 (12,6%) estavam sob efeito de drogas ilícitas ou de medicamentos. Destes 60, 8 (13,4%) apresentaram lesão associada. Quanto aos 57 pacientes que sofreram acidente de bicicleta, motociclístico ou automobilístico, 34 (59,6%) afirmaram estar fazendo uso dos equipamentos de proteção (cinto de segurança e/ou capacete) e 12 (35,3%) destes apresentaram lesão associada. Já entre os 23 (40,4%) que não usaram equipamento de proteção, 10 (43,5%) apresentaram alguma lesão associada. Entre os 158 pacientes estudados, 23 (14,5%) apresentaram alguma alteração no exame oftalmológico, sendo que 9 (5,7%) apresentaram também lesão associada em outro segmento corporal. A análise da localização das lesões associadas, exceto as oftalmológicas, demonstrou pacientes com lesões em mais de um segmento corporal. Assim, dentre os 38 pacientes deste grupo encontramos: 25 casos de lesão em crânio/pescoço, 12 casos de lesões em membros superiores, 7 casos de lesão em membros inferiores, 4 casos de lesão em tórax e 1 caso de lesão abdominal. Os pacientes que mais apresentaram lesões em diversos segmentos corporais foram aqueles cujo mecanismo de trauma foi atropelamento, acidente automobilístico ou acidente motociclístico. Já nos pacientes vítimas de agressão ou de ferimento por projétil de arma de fogo, as lesões associadas foram somente no crânio/pescoço. Os pacientes que sofreram acidente de bicicleta e queda apresentaram lesões associadas no crânio/pescoço e nos membros superiores. Em número absoluto, o crânio/pescoço foi o segmento corporal mais atingido por lesões associadas, prevalecendo o traumatismo cranioencefálico (TCE) leve. Este ocorreu em número decrescente nas quedas, nos acidentes automobilísticos, nos acidentes de bicicleta e nas agressões. Os acidentes automobilístico e motociclístico juntamente com os casos de agressão e atropelamento foram os que apresentaram maior número de lesões moderadas e graves.


CONCLUSÃO

A incidência de traumatismos associados em fraturas faciais é maior em pacientes vítimas de acidente motociclístico, e sua gravidade está diretamente relacionada à cinética do trauma.

 

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