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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Tradicionalmente, a importância do conhecimento da anatomia do septo nasal está relacionada ao suporte central proporcionado por essa estrutura e à sua articulação com as cartilagens laterais superiores (CLS), que forma a válvula interna, responsável por até 50% da resistência total das vias aéreas. Estudos cefalométricos demonstraram também a importância do septo no desenvolvimento do nariz e do terço médio facial. Entretanto, a cartilagem septal passou a exercer outra importante função nas rinoplastias e reconstruções nasais modernas: a de área doadora de enxertos. O septo é a principal área doadora de enxertos nasais, e a primeira escolha da maioria dos autores. Apesar de a cartilagem septal fornecer enxertos resistentes e retilíneos, poucos são os estudos que mediram a espessura, comprimento e área desta cartilagem, a fim de determinar qual o melhor segmento a ser utilizado para a confecção dos diversos tipos de enxertos nasais e sua disponibilidade como área doadora.


OBJETIVO

Avaliar a anatomia da cartilagem septal nasal em brasileiros, por meio de medidas precisas de altura, comprimento, área e espessura, identificando variações de acordo com sexo, raça e determinadas regiões do septo. Adicionalmente, foi proposta uma correlação entre a morfologia e topografia da cartilagem septal e escolha dos enxertos.


MATERIAL E MÉTODOS

Foram dissecados 10 narizes de cadáveres frescos, sendo doados para estudo anatômico pelo Instituto Médico Legal Nina Rodrigues a partir de convênio firmado com a Universidade Federal da Bahia. A dissecção foi realizada por meio de rinoplastia aberta, com abordagem submucosa, liberação das conexões com as CLS e liberações das adesões osteocartilaginosas e das conexões entre o septo caudal e as cartilagens laterais inferiores (CLI). Em seguida, procedeu-se à retirada dos septos cartilaginosos na sua totalidade, sem envolver estruturas ósseas do etmoide nem do vômer. Quando as estruturas ósseas acompanharam a cartilagem septal removida, no intuito de garantir a remoção completa desta, elas foram removidas cuidadosamente antes das medições. As cartilagens septais retiradas foram colocadas sobre papel milimetrado, e, em seguida, foram feitas imagens digitalizadas e mensurações das áreas através do programa Image J 1.42q. Além da área, foram medidos o maior comprimento e a maior altura, utilizando-se uma régua milimetrada. Todas as cartilagens septais foram divididas em 9 quadrantes equivalentes, traçando-se duas retas paralelas ao dorso nasal e outras duas perpendiculares a estas. Esses quadrantes foram identificados como A, B, C, D, E, F, G, H e I. Uma posterior divisão em zonas septais foi realizada para determinação de novas medidas antropométricas. Mediu-se, então, a espessura do ponto médio de cada quadrante utilizando-se paquímetro digital.


Figura 1 - Septo nasal delimitado por quadrantes.


Figura 2 - Área septal remanescente após remoção do strut em "L".



RESULTADOS

Todos os cadáveres avaliados sofreram morte violenta, não permitindo análise de histórico médico, porém não havia sinal de trauma na região nasal em nenhum deles. A idade aparente dos cadáveres analisados variou de 20 a 60 anos, sendo 8 indivíduos do sexo masculino e 2 do sexo feminino. Quanto à cor, 70% eram pardos e 30% negros. O comprimento septal médio foi de 36,4 (24-50) mm, enquanto a altura média foi de 32,7 (28-39) mm. A área septal média foi de 935,832 (594,44-1431,87) mm2. Em relação à espessura septal, esta variou nos 9 quadrantes analisados, sendo detectadas diferenças estatisticamente significante nas médias dos postos em 12 situações. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes (p=0,4424) na análise das zonas septais. Por meio de reconstrução computadorizada, a área septal remanescente (após exclusão do strut em "L" de 10 mm) foi de 518,66 mm2, sendo que os enxertos poderiam alcançar comprimentos médios de 30 mm quando confeccionados obliquamente.


CONCLUSÃO

Os achados do estudo confirmam que o septo cartilaginoso é uma boa escolha como área doadora de enxertos, mesmo quando são necessários enxertos longos e múltiplos. Os autores sugerem que o septo remanescente seja removido na sua totalidade, se necessário com porções óssea, para otimizar a quantidade de cartilagem. Da mesma forma, o strut em "L" deve ser preservado com, no mínimo, 10 mm de largura. A variabilidade na espessura, comprimento, largura e área das cartilagens septais confirmada nesse estudo sugere que as variações anatômicas são muito comuns, tornando-as regras e não exceções.

 

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