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Homenagem - Ano 1997 - Volume 12 - Número 3

Palavras proferidas pelo Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Farid Hakme, no
momento do sepultamento de nosso colega Nemer Chidid.

Em 1957 viemos, você e eu, do interior de São Paulo para estudar Medicina no Rio de Janeiro. Nestes 40 anos de convivência, tivemos oportunidade de estarmos juntos em muitos momentos felizes. E, hoje, eu estou aqui, neste momento tão triste, assistindo ao seu enterro e pensando que daqui a alguns dias você vai me telefonar de onde estiver dizendo: "Primo, vem para cá. Aqui está muito bom, só tem gente bonita e eu estou operando muito." E eu vou te responder: "Não, não vou não. Eu vou me cuidar, junto com meus amigos cirurgiões plásticos que estão aqui presentes, vou tratar da minha saúde para não encontrar logo contigo. Até o dia que não será mais possível adiar, aí então eu vou ao teu encontro, onde você estiver.

Você em 1977 tentou fazer conosco a prova para ser Membro Titular de nossa Sociedade mas não conseguiu porque seu pai faleceu e então fez a prova em 1978.

Nemer Chidid ajudou as crianças deformadas e aos queimados em seu trabalho em Caxias e depois deu a sua contribuição nas Pioneiras Sociais com bonitos trabalhos de reconstrução de mama, que foi sua tese.

Há 25 anos abriu sua Clínica particular. Foi eleito Presidente da Regional Rio de Janeiro da SBCP para o período de 1992/93 e reeleito para 98/99. Atualmente exercia a função de Coordenador da Comissão para Prova para Membro Titular, onde 100 colegas vão prestar exame este ano. Infelizmente, Nemer, não vamos contar com você.

Mas, você também aproveitou a vida. Tinha um barco e todos os sábados ia pescar com os amigos. E eu comi muitos peixes dessas pescarias.

Nemer Chidid deixou como legado um filho único, Neminho, que está aqui ao meu lado e, como administrador de empresas, tem o compromisso de prosseguir os seus negócios. Mas, no entanto, não precisa imitar o pai, pois ele era único e você Neminho, será você mesmo.

Um trecho da Bíblia que você Nemer tanto gostava e sempre me pedia para repetir eu vou dizer mais uma vez para você: "Não te preocupeis demais com o dia de amanhã, a cada dia basta o seu cuidado. Olhais os lírios dos campos, olhais os pássaros que voam no céu. Nem Salomão, em toda sua glória e esplendor jamais se vestiu como um lírio, ou vôou como um pássaro".

E, para dizer as últimas palavras, gostaria que estas pétalas de rosas que todos estão jogando em seu túmulo, lembrem o poeta quando perguntado por sua filha: porque pai tem que ser você a morrer tão cedo? E ele respondeu: as rosas, que são as mais belas, são as primeiras a morrer.

E, como você recitava todos os dias, de Calderon de La Barca: "A vida é sonho e os sonhos são nada mais do que sonhos!" E agora, Nemer, você pode só sonhar.


Do primo,

Farid.

 

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