ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Print: 1983-5175

Previous Article

Articles - Year 2019 - Volume 34 - (Suppl.3)

http://www.dx.doi.org/10.5935/2177-1235.2019RBCP0196

RESUMO

Objetivo: Relatar um caso de onfaloplastia.
Relato de Caso: Paciente do gênero feminino, J.P.O., de 30 anos, atendida no Serviço de Cirurgia Plástica Dr. Ewaldo Bolivar, com queixa de "umbigo grande".
Conclusão: Cirurgia realizada no Santos Day Hospital, utilizando técnica em retalho semicircular, evoluindo com satisfação o total da paciente.

Palavras-chave: Retalhos cirúrgicos; Umbigo; Cicatriz


INTRODUÇÃO

O umbigo é a única cicatriz natural do corpo humano, sendo uma cicatriz retrátil circundado por um abaulamento com aproximadamente 2cm de diâmetro, resquício embriológico do cordão umbilical, está localizado na linha média na altura da crista ilíaca, e é o centro da atenção estética do abdome, por isso tem importância central na harmonia do corpo.

Com a idade, hérnias umbilicais, pós-gestacional ou com ganho excessivo de peso, a aparência do umbigo pode modificar, o que faz com que seja comum as pacientes, na maioria do gênero feminino, recorrerem à cirurgia plástica para correção estética do umbigo.

A cirurgia para correção do umbigo ou mesmo para substituição do mesmo, fazendo um neoumbigo, é chamada de onfaloplastia ou umbilicoplastia, que visa restaurar a estética da cicatriz natural existente. Pacientes que submetem a abdominoplastia também passam por esse procedimento durante a cirurgia, e em casos que não há satisfação ou ocorreu algum problema, pode ser necessário um reparo pós-operatório.

Para todo cirurgião, a reconstrução do umbigo é considerada um desafio, tanto que muitos dizem que a onfaloplastia pode ser vista como a assinatura do cirurgião. Dar harmonia e um resultado mais natural na cicatriz do neoumbigo é a intenção de todos, porém nem sempre é alcançada.

O procedimento é realizado com incisões, na maioria das vezes, imperceptíveis, feitas na própria cicatriz umbilical existente. Existem várias técnicas utilizadas na atualidade, sendo elas: semicircular, circular, quadrangular, linear vertical, horizontal, elíptica nos sentidos horizontal e vertical, em cruz, em T, V, Y ou U invertido. As técnicas consideradas não-circulares têm descrição de melhores resultados, porém é necessário avaliar a queixa de cada paciente em específico para definir a melhor técnica para cada caso.

A cicatriz umbilical tem alguns quesitos a serem seguidos para se obter um resultado satisfatório, como o bom posicionamento, formato semelhante ao natural, profundidade adequada, cicatriz discreta e tamanho ideal.

Algumas complicações na reconstrução umbilical são possíveis de acontecer, como cicatrizes hipertróficas, estenose cicatricial, alargamento, pigmentação e profundidade inadequada.

Existem casos que não se recomenda a cirurgia plástica do umbigo como a existência de neoplasias locais, processos inflamatórios ou infecções, assim como problemas cardiovasculares, alterações metabólicas, problemas de coagulação e pulmonares, ou pacientes que estejam gestantes.

Alguns cirurgiões aconselham que nos primeiros dias o paciente use gaze em forma esférica até 48h após o procedimento, e depois use órtese umbilical de silicone por alguns dias após o procedimento para manter a forma ao cicatrizar.

OBJETIVO

Relatar um caso de onfaloplastia com retalho em semicírculo, na paciente J.P.O., de 30 anos, atendida no Serviço de Cirurgia Plástica Dr. Ewaldo Bolívar, com queixa de “umbigo grande”. O objetivo foi a correção da queixa da paciente, reduzindo o tamanho de seu umbigo.

MÉTODO

O método utilizado foi a correção do “umbigo grande” com retalho em semicírculo.

RESULTADOS

Paciente do gênero feminino, 30 anos, procedente de Santos-SP, procurou o serviço de cirurgia plástica com queixa de “umbigo grande” (Figura 1A), apresentando história prévia de herniorrafia umbilical com cirurgia realizada no ano de 2007.

Figura 1 - A: Umbigo antes; B: Marcação cirúrgica; C: Incisão inicial para recorte; D: Pós-operatório imediato (POI).

A cirurgia para correção do tamanho do umbigo foi realizada no Santos Day Hospital, no dia três de maio de 2019, com a técnica de retalho em semicírculo (Figuras 1B e 1C), evoluindo com satisfação total da paciente.

A paciente foi avaliada no pós-operatório imediato (DPOI) (Figura 1D), e retornou ao hospital para avaliação com 4 (Figura 2A), 18 (Figura 2B), 25 (Figura 2C) e 52 dias pós-operatório (DPO) (Figura 2D). Em seu segundo retorno, com 18 dias DPO (Figura 2B) foi observado uma necrose na parte inferior do retalho em semicírculo, mas apesar disso, o resultado final deixou a paciente satisfeita.

Figura 2 - A: Pós-operatório (4 DPO); B: Pós-operatório (18 DPO); C: Pós-operatório (25 DPO); D: Pós-operatório (52 DPO).

DISCUSSÃO

Conforme a literatura de retalhos comuns baseado no plexo subdérmico, realizou-se o retalho de avanço em formato semicircular com ressecção do terço central do umbigo e fechamento através do retalho.

O procedimento foi realizado com bisturi frio para evitar queimadura ou lesão do plexo subdérmico; o pedículo foi mantido com espessura total da epiderme e derme para preservar a vascularização; e, respeitou-se os princípios básicos, de modo que o comprimento do retalho não foi maior que 2-1, relação de comprimento total versus base (pedículo).

CONCLUSÃO

Podemos concluir que apesar da necrose da ponta do retalho, a onfaloplastia redutora através do retalho em semicírculo continua sendo uma alternativa plausível e de fácil execução.

REFERÊNCIAS

1. Amud RJM. Neo-onfaloplastia sem cicatriz. Rev Bras Cir Plást. 2018;23(1):37-40.

2. Campos R, Campos BVBL. Onfaloplastia em triângulo de isósceles e com dupla fixação na abdominoplastia. Rev Bras Cir Plást. 2019;34(1):38-44.

3. Castro DPR, Saldanha OR, Pinto EBS, Albuquerque FM, Moia SMS. Avaliação estética da cicatriz umbilical em duas técnicas de onfaloplastia. Rev Bras Cir Plást. 2014;29(2):248-52.

4. Cló TCT. Neo-onfaloplastia com incisão em X em 401 abdominoplastias consecutivas. Rev Bras Cir Plást. 2013;28(3):375-80.

5. Rocha RP. Atlas de Cirurgia Estética para o Residente. 1ª ed. Santos (SP): Revinter; 2000.

6. Rosique MJF, et al. Estudo comparativo entre técnicas de onfaloplastia. Rev Bras Cir Plást. 2009;24(1):47-51.











1. Serviço de Cirurgia Plástica Dr. Ewaldo Bolivar de Souza Pinto, Vila Mathias, Santos, SP, Brasil.

Endereço Autor: Rafael Cordeiro Puhl, Avenida Padre Manoel da Nóbrega, 433, São Vicente, SP, Brasil. CEP: 11320-200. E-mail: Rafaelc.puhl@gmail.com

 

Previous Article Back to Top

Indexers

Licença Creative Commons All scientific articles published at www.rbcp.org.br are licensed under a Creative Commons license