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Articles - Year 2019 - Volume 34 - (Suppl.3)

http://www.dx.doi.org/10.5935/2177-1235.2019RBCP0193

RESUMO

Com grande importância nos exames pré-operatórios de lipoabdominoplastia, a ultrassonografia torna-se um importante método para gerar mais segurança e evitar complicações. Tendo em vista os avanços das técnicas em lipoabdominoplastias e o drástico aumento no número de realizações deste procedimento cirúrgico, procuramos avaliar as alterações ultrassonográficas em pacientes que realizaram exames pré-operatório para realização de lipoabdominoplastia. Foi realizado exame físico detalhado, assim como a realização de exame ultrassonográfico de abdome e de parede abdominal de todos os pacientes que foram submetidos à lipoabdominoplastias, sendo avaliado características como sexo, idade e alterações encontradas no exame de ultrassonografia de abdome e de parede abdominal. Referente ao presente estudo, podemos observar que a grande maioria dos pacientes são do sexo feminino, sendo a idade mais prevalente entre 31 a 35 anos. A mais frequente é a diástase abdominal, representando 24% desses resultados; e, 30% apresentando status pós-cirúrgico de colecistectomia.

Palavras-chave: Abdominoplastia; Ultrassom


INTRODUÇÃO

Atualmente, diversas técnicas cirúrgicas estão disponíveis para realização do contorno abdominal em homens e mulheres, com base nas variações na anatomia dos pacientes e seus objetivos. O número dos vários procedimentos de abdominoplastia provavelmente continuará aumentando, devido à crescente demanda por procedimentos de perda ponderal e por uma maior procura por resultados estéticos em variados tipos de pacientes1,2. Em 1980, a lipoaspiração criada por Illouz, contribuiu com a evolução para as técnicas de abdominoplastias associadas à lipoaspiração3. Em 1985, Farid Hakme, descreve a técnica de miniabdominoplastia, associada à lipoaspiração4. Em 2003, Souza Pinto e Saldanha, desenvolveram a técnica de lipoaspiração associada à abdominoplastia, então chamada de lipoabdominoplastia5, a qual ganhou força pela excelência em resultados e realizada mundialmente até os tempos atuais.

Com grande importância nos exames pré-operatórios de lipoabdominoplastia e lipoaspiração, a ultrassonografia torna-se um importante método para gerar mais segurança e evitar complicações, como, por exemplo, a aspiração de hérnias abominais. O estudo inicia primeiramente com a avaliação de órgãos internos para evidenciar patologias crônicas preexistentes, como hepatopatias, nefropatias crônicas, aneurisma de aorta abdominal, litíase biliar e outros, enquanto a segunda avaliação restringe-se a parede abdominal com o estudo de hérnias e diástases6.

A realização do ultrassom visa pesquisar hérnias ventrais, lombares e femorais, com o paciente em decúbito ventral e laterais direito e esquerdo. Segundo o estudo de Marins, as hérnias adquiridas ventrais (parede anterior da linha média) são as mais comuns encontradas, seguidas das espiguelianas (linha semilunar), lombares (situadas posteriormente), femorais, incisionais e inguinais. Outra região a ser estudada com atenção é a zona paraumbilical, sítio frequente de hérnias umbilicais e paraumbilicais6.

OBJETIVO

Tendo em vista os avanços das técnicas em lipoabdominoplastias e o drástico aumento no número de realizações deste procedimento cirúrgico, procuramos avaliar as alterações ultrassonográficas em pacientes que realizaram exames pré-operatório para realização de lipoabdominoplastia.

MÉTODO

Trata-se de um estudo retrospectivo, transversal e consecutivo de casos, e compreendeu 29 pacientes que foram submetidos à cirurgia de lipoabdominoplastia, no período de fevereiro de 2019 a abril de 2019.

Os critérios de exclusão no estudo foram: pacientes com índice de massa corporal maior que 30, ser submetido à cirurgia plástica que não seja lipoabdominoplastia.

Os critérios de inclusão no estudo foram: pacientes com flacidez de pele supraumbilical e infraumbilical, com flacidez do sistema músculo-aponeurótico do abdome, pacientes com prole completa, pacientes com índice de massa corporal inferior a 30 e pacientes com estabilidade emocional.

Foi realizado exame físico detalhado, assim como a realização de exame ultrassonográfico de abdome e de parede abdominal de todos os pacientes que foram submetidos à lipoabdominoplastia, sendo avaliado características como sexo, idade e alterações encontradas no exame de ultrassonografia de abdome e de parede abdominal.

Termo de consentimento escrito foi fornecido e documentação fotográfica realizada de forma rotineira.

RESULTADOS

A média de idade foi de 38,1 anos (variando de 26 a 53 anos). Levando em consideração o sexo dos pacientes estudados, 10% (3) eram masculinos e 90% (26) do sexo feminino (Figura 1 e 2).

Figura 1 - Porcentagem de pacientes em relação ao sexo.

Figura 2 - Porcentagem de pacientes em relação ao intervalo de idade.

Analisando o intervalo de idade dos pacientes envolvidos no presente estudo, podemos observar que no intervalo de idade entre 25 a 30 anos, participaram 17%5 dos pacientes; entre 31 a 35 anos, 28%8 pacientes; entre 36 a 40 anos, 10%3; no intervalo de 41 a 45 anos, temos 24%7 pacientes; entre 46 a 50 anos, 17%5; e, entre 51 a 55 anos, foram estudados 4%1.

Avaliando as alterações ultrassonográficas da parede abdominal, observamos que 55%1,6 dos exames são normais; 4%1 apresentou hérnia inguinal; 17%5 com hérnia umbilical; e 24%7 apresentaram diástase do musculo reto abdominal (Figura 3).

Figura 3 - Alterações ultrassonográficas da parede abdominal.

Levando em consideração a ultrassonografia de abdome total, podemos analisar que 62%2,4 dos pacientes apresentaram o exame sem alterações; 30%4 evidenciaram com status pós-cirúrgico de colecistectomia; e 8%1 com colelitíase (Figura 4).

Figura 4 - Alterações ultrassonográficas de abdome total.

DISCUSSÃO

Referente ao presente estudo, podemos observar que a grande maioria dos pacientes submetidos ao procedimento de lipoabdominoplastia são do sexo feminino, sendo a idade mais prevalente entre 31 a 35 anos. Em relação ao exame ultrassonográfico no pré-operatório, observamos que 45% dos pacientes estudados apresentaram alterações no ultrassom de parede abdominal, sendo o mais frequente a diástase abdominal, representando 24% desses resultados. Por outro lado, em relação ao exame ultrassonográfico de abdome total, 38% dos pacientes apresentaram alterações do exame, sendo o mais comum (30%) apresentando status pós-cirúrgico de colecistectomia.

CONCLUSÃO

Após a realização do presente estudo, concluímos que a realização dos exames pré-operatórios, com mais evidência no exame ultrassonográfico pode corresponder em maior segurança no procedimento cirúrgico de lipoabdominoplastia, evitando assim complicações previsíveis e evitáveis, com a realização de exame de baixo custo e de fácil acesso.

REFERÊNCIAS

1. Swift RW, Matarasso A, Rankin M. Abdominoplasty and Abdominal Contour Surgery: A National Plastic Surgery Survey. Plast Reconstr Surg. 2007 Jan;119(1):426-247. DOI: https://doi.org/10.1097/01.prs.0000245333.12259.87

2. Grazer FM, Goldwyn RM. Abdominoplasty assessed by survey, with emphasis on complications. Plast Reconstr Surg. 1977 Apr;59(4):513-7. PMID: 847027 DOI: https://doi.org/10.1097/00006534-197704000-00006

3. Illouz YG. Study of subcutaneous fat. Aesthetic Plast Surg. 1990 Summer;14(3):165-77. PMID: 2205085 DOI: https://doi.org/10.1007/BF01578345

4. Hakme F. Technical details in the lipoaspiration associated with liposuction. Rev Bras Cir Plást. 1985;75(5):331-7.

5. Saldanha OR, Souza Pinto EB, Matos Junior WN, Lucon RL, Magalhaes F, Bello EML, et al. Lipoabdominoplastia - Técnica Saldanha. Rev Bras Cir Plást. 2003;18(1):37-46.

6. Marins JRB. Lipoabdominoplastia. In: Nome do autor. Ultrassonografia na lipoabdominoplastia. Cidade: Nome da editora; 2004. p.153-57.











1. Serviço de Cirurgia Plástica Dr. Ewaldo Bolivar de Souza Pinto, Vila Mathias, Santos, SP, Brasil.

Endereço Autor: Igor Luciano Rocha Faillace, Avenida Ana Costa, 120, Gonzaga, Santos, SP, Brasil. CEP 11060-002. E-mail: igor_faillace@yahoo.com.br

 

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