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Skull, Face and Neck - Year 2013 - Volume 28 - (3 Suppl.1)

OBJETIVO

Este trabalho objetiva apresentar a experiência do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) com distração osteogênica nas hipoplasias mandibulares, avaliando os resultados e comparando com a experiência de outros serviços.


MÉTODO

De janeiro a março de 2013, 6 pacientes foram submetidos a cirurgia de distração mandibular no INTO. Todos os pacientes operados apresentavam hipoplasia mandibular uni ou bilateral em decorrência de anquilose de articulação temporomandibular (ATM) ou microssomia craniofacial. Em alguns pacientes com anquilose de ATM, foi realizada também ressecção do bloco anquilótico no mesmo tempo da distração. Todas as informações dos prontuários foram analisadas retrospectivamente: etiologia da deformidade mandibular, cirurgias realizadas previamente, dificuldades funcionais estomatognáticas, características dentoesqueléticas, exames radiológicos (panorâmica, cefalometria ântero-posterior e cefalometria de perfil), técnica da distração utilizada, períodos de latência, ativação e consolidação, e complicações. Durante todas as fases da distração mandibular, foram realizadas intervenções de drenagem linfática manual, massagens e exercícios dinâmicos e estáticos para fortalecer e tonificar a musculatura orofacial que estava sendo alongada juntamente com a mandíbula. Em todos os pacientes portadores de anquilose de ATM, fez-se necessária intervenção fisioterápica para os músculos intrínsecos e extrínsecos de língua, pois estes se apresentavam fracos em decorrência da pouca atividade desempenhada até então em virtude da pequena abertura bucal e da pouca demanda funcional pré-operatória. Além disso, em todos os pacientes, foram necessários também exercícios de fortalecimento de músculo orbicular dos lábios e músculos bucinadores, e exercícios dinâmicos de abertura bucal.


RESULTADOS

De janeiro a março de 2013, 6 pacientes foram operados de distração mandibular no INTO. A faixa etária variou entre 7 anos e 15 anos, com média de 11 anos. Cinco pacientes eram mulheres. A etiologia mais comum foi anquilose de ATM unilateral (n = 3), seguida de anquilose de ATM bilateral (n = 2) e microssomia craniofacial (n = 1). Dos 5 pacientes com anquilose deATM, 3 deles realizaram ressecção unilateral do bloco anquilótico no mesmo tempo. Todos os distratores foram bilaterais. A osteotomia em todos os casos foi a oblíqua de ramo/ângulo. Três pacientes receberam distratores externos e 3, distratores internos. A fase de latência foi entre 5 dias e 6 dias e a fase de ativação durou de 31 dias a 43 dias, com média de 39,5 dias. A taxa de ativação foi de 2 mm/dia. A fase de consolidação durou de 79 dias a 114 dias, com média de 91,2 dias. Houve melhora de todas as funções estomatognáticas desses pacientes no pós-operatório na avaliação clínica e relato de melhora significativada qualidade do sono naqueles pacientes que roncavam. Do ponto de vista dentoesquelético, os pacientes com anquilose unilateral de ATM (n = 3) apresentavam-se retrognatas, com laterognatia, classe II e com over jet entre 10 mme13mm.Os pacientes comanquilose bilateral de ATM (n = 2) apresentavam-se retrognatas, classe II e com over jet negativo variando de 11,5 mm a 15 mm. O paciente com microssomia craniofacial (n = 1) apresentava-se retrognata, Pruzansky IIB, com laterognatia, classe I, e com over jet e abertura bucal dentro da normalidade. Todos os pacientes com anquilose de ATM uni ou bilateral apresentavam abertura bucal diminuída, variando de 11 mm a 31 mm. A média da abertura desse grupo foi de 23 mm, destacando que nessa mensuração foi levada em conta a distância interincisivos. Houve melhora em todos os pacientes do ponto de vista dentoesquelético e da estética facial: os pacientes classe II passaram para classe I e até III, de retrognatas os pacientes passaram a ortognatas e até prognatas, os over jets foram corrigidos e hipercorrigidos, as laterognatias não foram eliminadas, mas foram amenizadas em alguns casos, e a abertura bucal aumentou em todos os pacientes operados também da anquilose de ATM. Os pacientes continuam ainda em acompanhamento periódico com a equipe de fonoaudiologia e seguem melhorando seus resultados.


CONCLUSÃO

A distração osteogênica da mandíbula é uma alternativa extraordinária para o tratamento das hipoplasias mandibulares, muitas vezes sendo a primeira indicação em algumas situações clínicas. É um procedimento de menor morbidade que as reconstruções clássicas de mandíbula e possui o bônus de alongar também os tecidos moles.

 

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