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Tórax e Tronco - Ano 2012 - Volume 27 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

A lipoabdominoplastia é uma técnica que foi desenvolvida por Saldanha no ano de 2000 e publicada no ano de 2001. Ela é determinada pela associação das técnicas de abdominoplastia e lipoaspiração, não de forma aleatória, mas de forma padronizada, promovendo as vantagens de ambas as técnicas, de forma funcional e segura. Foi inicialmente desenvolvida com o intuito de diminuir as complicações da cirurgia abdominal e, ainda se mostrou mais efetiva com resultados mais harmônicos que a abdominoplastia tradicional. Apresentando um conceito mais amplo, a lipoabdominoplastia respeita completamente a anatomia abdominal, realizando um descolamento seletivo, preservando os vasos perfurantes, nervos, drenagem linfática e a fáscia de Scarpa.


OBJETIVO

Descrever as manobras, táticas e técnicas que vêm sendo introduzidas à descrição inicial desde a criação dessa sistematização cirúrgica, aprimorando resultados, aumentando ainda mais eficácia e redução no índice de complicações.


MÉTODO

A técnica de lipoabdominoplastia foi inicialmente descrita baseada na marcação tradicional do abdome, descrita por Pitanguy. Ela é feita respeitando-se a "lei dos 7". A linha horizontal suprapúbica tem 14 cm de comprimento e está a 7 cm de distância da fúrcula vulvar. Duas linhas oblíquas com 7 cm de comprimento são marcadas na direção da crista ilíaca, completando a linha incisional, cuja extensão corresponde a 28 cm na quase totalidade dos casos. Marca-se, então, as linhas de diástase muscular, o retalho e a área a ser lipoaspirada. Para infiltração utiliza-se a técnica úmida, com solução salina de 1:500.000 de adrenalina. Procede-se à lipoaspiração do abdome superior em ambas as camadas de gordura com cânulas 3 e 4, e no abdome inferior, com cânula 6 apenas da camada superficial, para preservação da fáscia de Scarpa. Segue-se com o descolamento seletivo do retalho, em que se faz uma tunelização desse retalho até o apêndice xifoide, respeitando-se as margens dos músculos retos abdominais, onde se localizam os vasos perfurantes, um dos princípios da técnica. Esse túnel pode ser mais estreito ou mais amplo, dependendo da diástase muscular. A liberação do retalho abdominal causada pela cânula de lipoaspiração facilita a mobilização e descida do mesmo ao púbis. Após o descolamento seletivo, procede-se à abertura da Scarpa para plicatura muscular e posterior fechamento da mesma. Transpõe-se a seguir o retalho e resseca-se o tecido dermogorduroso redundante, aproximando-se o retalho do púbis. A onfaloplastia é realizada com a "Técnica em Estrela", marcando-se na parede abdominal 2 cm verticalmente e 1 cm na horizontal. Quatro pontos subdérmicos cardinais com monocryl acomodam o pedículo umbilical ao retalho, promovendo um afundamento da cicatriz e um resultado mais natural. Por fim, o fechamento da pele se dá por planos, com monocryl e nylon, instalando-se um dreno de aspiração contínua que aí permanece por 24h normalmente.


RESULTADOS

Os resultados foram considerados bons e excelentes, quando solicitadas as opiniões dos pacientes e semelhantes às publicações anteriores. As complicações foram baixas, principalmente quando comparadas às da abdominoplastia (Figuras 1 e 2).






CONCLUSÃO

A técnica da lipoabdominoplastia já é consagrada, por ser uma técnica mais segura, com resultados mais favoráveis e melhor aceitação pelos cirurgiões plásticos e pacientes. Baseada na preservação de vasos perfurantes, com descolamento seletivo e preservação da fáscia de Scarpa, a mesma evoluiu nos últimos 10 anos desde a criação de sua sistematização. A seleção de pacientes, a forma diferenciada da execução e dos locais de lipoaspiração, o tratamento da fáscia de Scarpa, a liberação de traves do retalho, a "open lipo", a forma da onfaloplastia, bem como o rebaixamento da cicatriz, auxiliaram na evolução da técnica e incrementaram seus resultados e nível de segurança.

 

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