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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2012 - Volume 27 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Na reconstrução palpebral, três elementos são importantes: a pele, a estrutura de sustentação e a mucosa. O objetivo da reconstrução palpebral é a proteção da córnea, a reestruturação da lamela e o estabelecimento da simetria facial. A lamela anterior pode ser reconstruída com retalhos cutâneos ou musculocutâneos de avançamento, transposição ou rotação ou com enxertos de pele total. A lamela posterior constitui-se de tarso e conjuntiva. Sua reconstrução é normalmente feita com transposição tarsoconjuntival, além de retalhos de avanço ou rotação associados a enxertos compostos de pele e cartilagem. O tipo de reconstrução da pálpebra a ser realizada pode ser definida baseada em termos de espessura e extensão do defeito. Técnicas de fechamento direto podem ser usadas em defeitos de até 30% em pacientes jovens e até 45% no paciente idoso.


OBJETIVO

Apresentar uma técnica opcional para a reconstrução de defeitos da lamela anterior da pálpebra inferior com retalho cutâneo zigomático palpebral. Esta técnica mostra uma alternativa excelente principalmente nos casos de pele esclero-atrófica de pessoas idosas, bem como para pessoas jovens, que não apresentam redundância da pele palpebral superior, impossibilitando, por exemplo, o uso de enxertos de pálpebra superior ou retalhos, como o de Fricke ou Tripier. A técnica baseia-se no uso de retalhos locais, de características muito semelhantes à área do defeito, o que permite mimetização, segurança e exequibilidade. O objetivo de reconstruir defeitos da pálpebra é restaurar a anatomia e função. Esta pode ser uma tarefa desafiadora, especialmente em defeitos maiores que podem estar presentes nos procedimentos oncológicos em jovens e em idosos com pele esclero-atrófica e mínima frouxidão. Várias técnicas reconstrutivas têm sido desenvolvidas e a escolha da mesma dependerá das porções da pálpebra acometidas e da extensão do defeito. Procedimentos reconstrutivos devem manter a função e integridade das estruturas periorbitais. Os objetivos da reconstrução da pálpebra devem incluir os seguintes aspectos: 1. Mucosa conjuntival interna lisa e macia - lubrificação ocular; 2. Margem palpebral estável com suporte rígido como o tarso para assegurar forma e estabilidade; 3. Rigidez palpebral nas áreas dos ligamentos cantais; 4. Musculatura funcionalmente ativa para permitir tônus; 5. Oclusão palpebral adequada para manter a proteção ocular; 6. Resultado estético aceitável visando simetria facial.


MÉTODO

Descrição do retalho zigomático palpebral: o autor mostra a indicação do retalho em casos de ectrópio cicatricial, reconstrução após ressecção de neoplasias, associação com outros retalhos como de Hughes ou para cobertura de enxertos cartilaginosos. É um retalho de transposição composto por pele e subcutâneo, randomizado. O princípio técnico para confecção do retalho é o mesmo em todos os casos. A área receptora tem os seus limites avaliados e com base na extensão do defeito delimita-se a área doadora na região malar ipsilateral. Então, o retalho é marcado na região zigomática a partir do canto lateral do olho, descendo no sentido perpendicular, 90º em relação à margem ciliar inferior. O retalho cutâneo é elevado com um tecido subcutâneo de espessura suficiente para preencher o defeito. Depois disso, o processo de transposição é realizado, tanto a área doadora quanto a região receptora do retalho são suturadas com pontos simples separados com náilon monofilamentado 6.0.


RESULTADOS

O retalho permite a restauração da altura, comprimento vertical palpebral, prevenindo e corrigindo ectrópio. Os resultados imediatos e tardios são satisfatórios e bem aceitos pelos pacientes e pela equipe cirúrgica em termos de estética, qualidade da cicatriz e em termos funcionais com oclusão palpebral adequada e lubrificação ocular preservada. Uma complicação temporária e de resolução espontânea é o edema residual e linfedema palpebral inferior, porém restrita a casos de dissecções amplas.


CONCLUSÃO

Retalho zigomático-palpebral é uma técnica alternativa que pode ser lembrada em casos de pele escleroatrófica em pacientes idosos e para os jovens sem tecido suficiente para reconstruir grandes defeitos. A reconstrução palpebral exige não somente um conhecimento anatômico preciso, mas também variadas técnicas cirúrgicas, para se obter um resultado funcional e esteticamente satisfatório, minimizando as complicações pós-operatórias.

 

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