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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2011 - Volume 26 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

As medidas de crânio que utilizamos na prática clínica, na maioria das vezes, são fruto de estudos americanos ou europeus. A literatura nacional é restrita em oferecer dados atualizados sobre as medidas do crânio para as diferentes idades. Outro aspecto a ser considerado é a grande extensão territorial do Brasil, gerando biótipos com características diferentes, decorrentes não só da miscigenação étnica, mas também da migração e da imigração. O padrão das deformidades cranianas para cada uma das suturas (metópica, coronal, sagital e lambdoide) é característica de paciente para paciente, embora variável na gravidade. Tais deformidades são consequentes ao crescimento cerebral sob o esqueleto craniano em direção às suturas que estão abertas, levando a uma deformidade em 3 dimensões. Definimos, assim, a craniossinostose, cuja indicação cirúrgica envolve a abordagem da hipertensão intracraniana, quando existente, e correção das alterações tridimensionais da arquitetura do crânio.


OBJETIVO

Avaliar as medidas cranianas de pacientes portadores de craniossinostose não-sindrômica submetidos à cranioplastia, comparados à população lactente e pré-escolar de uma creche da cidade de Campinas.


MÉTODOS

Esta pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética do Hospital SOBRAPAR e tem termo de consentimento assinado pelos pais dos pacientes. Realizamos um estudo descritivo analítico, não-experimental, do tipo transversal, no qual foram feitas medidas dos crânios de 50 crianças saudáveis de um Centro de Educação Infantil "Aparecida Cassiolato" e 20 crianças portadoras de craniossinostoses nãosindrômicas submetidas a cranioplastias no Hospital SOBRAPAR, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2010. Nas avaliações, foram utilizadas fita métrica e goniômetro. O perímetro cefálico (PC) foi medido utilizando-se a fita métrica circunferencialmente ao crânio, passando sobre a glabela e protuberância occipital sem tensão. O diâmetro ântero-posterior (AP) foi medido com goniômetro apoiado na glabela e protuberância occipital. Com o goniômetro posicionado 1 cm acima da inserção das orelhas no crânio (ponto correspondente ao eurion), obtivemos o diâmetro bitemporal (BT). Foram criadas medidas oblíquas direita (OD) e esquerda (OE) aferidas de maneira diferente da achada na literatura, com o goniômetro sobre a protuberância occipital e o rebordo orbitário superior de cada lado, orientado pela linha pupilar quando a criança olha diretamente para frente. Tais aferições foram feitas em todos os pacientes por 2 examinadores. Com base nessas medidas, foram calculados os índices cefálicos (CI), que correspondem ao diâmetro bitemporal dividido pelo diâmetro ântero-posterior, multiplicado por 100, e foram criados os índices oblíquos (IO), que correspondem à oblíqua maior dividida pela oblíqua menor. Tais medidas e índices foram comparados entre os grupos, sendo que o grupo operado foi subdividido em pacientes com plagiocefalia (craniossinostose coronal unilateral) e outros, devido a maior assimetria craniana observada no primeiro grupo.


RESULTADOS

Foi excluída do estudo 1 criança do centro de educação, que era portadora de escafocefalia não-operada, que foi encaminhada ao nosso ambulatório, o que resultou em 49 crianças no grupo normal. Excluímos, ainda, 11 crianças do grupo de craniossinostose, que estavam fora da faixa etária de lactente e pré-escolar (abaixo dos 7 anos de idade). Assim, obtivemos 9 crianças submetidas a cranioplastia. Os pacientes do grupo submetido à cranioplastia têm o seguinte perfil: 3 pacientes com craniossinostose coronal unilateral (plagiocefalia), 3 com sagital (escafocefalia), 1 com metópica (trigonocefalia), 1 com coronal bilateral (braquicefalia) e 1 com frontoparietal associada a parietoccipital, ou seja, múltiplas (turricefalia). A média de idade do grupo normal foi de 37,9 meses, sendo o mais novo e mais velho, 7 e 55 meses, respectivamente. Nos pacientes submetidos à cranioplastia, a média etária foi de 46,8 meses. A menor e maior idade foram 16 e 82 meses, respectivamente. Não houve diferença estatística entre os grupos para a variável idade (p=0,105). Quanto à raça, houve predomínio de pacientes pardos (71,4%) no grupo normal e de brancos (55,6%) no grupo operado, com p=0,027 e p=0,002, respectivamente. Não houve diferença estatística entre os grupos, com relação ao sexo (p=0,802). O grupo normal apresenta 51% dos pacientes do sexo masculino e 49% do feminino. Enquanto no grupo operado encontramos 55,6% do sexo masculino e 44,4% do feminino. Quando avaliamos as medidas cranianas e os índices, não notamos diferença estatística entre o grupo normal comparado aos demais grupos, excetuando-se BT e IC, com p< 0,001 e p< 0,002, respectivamente. Observamos, ainda, que o grupo normal apresentou sempre uma média menor que o subgrupo operados. Estudamos, ainda, as distâncias oblíquas comparando-se 4 grupos: normal, operado, outra craniossinostose e plagiocefalia. Observamos diferença estatística entre as oblíquas no grupo normal (p= 0,007). Notamos, também, uma média da OD maior que a OE.


CONCLUSÃO

Os pacientes portadores de craniossinostose da região de Campinas, submetidos à cranioplastia, obtiveram como resultado um crânio com dimensões e conformação semelhante ao da população considerada normal nesta mesma região.

 

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