ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Print: 1983-5175

Previous Article Next Article

Original Article - Year2010 - Volume25 - Issue 3

ABSTRACT

Introduction: The goal of this scientific research is demonstrate possibility of umbilicus reconstruction or re-implantation during the abdominal dermolipectomy. Method: Isolating the navel before the dermolipectomy with a triangular incision and re-sitting it with "V" incision in the final abdominal flap and the creation of a "V" double scar. Results: A perfect approximation of the borders of the internal umbilicus scars and obvious improved aesthetic were obtained. Conclusion: The outcomes of this technique demonstrated harmony in the results and prevented the umbilical retraction, very common on the other techniques.

Keywords: Umbilicus/surgery. Abdomen/surgery. Lipectomy.

RESUMO

Introdução: Este trabalho tem como finalidade a reconstrução ou o reimplante do umbigo durante a cirurgia de dermolipectomia abdominal. Método: Através do isolamento do umbigo antes da dermolipectomia, realiza-se uma incisão triangular e reimplante deste com incisão em "V" no retalho abdominal final e confecção de uma peça em "V" do umbigo anteriormente isolado. Resultados: Observa-se perfeita coaptação destas bordas confeccionadas, situando-se a cicatriz umbilical na parte interna do neoumbigo, permitindo, assim, melhora estética do umbigo. Conclusão: Observou-se que, em sua totalidade, o resultado demonstrou harmonia e evitou-se a retração umbilical constritiva pós-cicatricial tão comum nas técnicas circulares ou em fenda.

Palavras-chave: Umbigo/cirurgia. Abdome/cirurgia. Lipectomia.


INTRODUÇÃO

Weinhold Zentralb1 foi o primeiro a preocupar-se em preservar o umbigo nas dermolipectomias abdominais, em 1909, assim como em nosso meio, Prudente2, em 1943, e Andrews3, transformando-o em um cilindro de pele, em 1956.

Pontes4 e Lintilhac & Tichadou5 defenderam a reconstrução do umbigo, Barraya & Deleuze6, Barraya & Nakpane7, em 1967, fizeram cicatriz em âncora no umbigo. Callia8,9, neste mesmo ano, melhora a forma de se enxergar a dermolipectomia abdominal e, por consequência, a forma de preparar o retalho pediculado do umbigo, culminando em Pitanguy10,11 e, posteriormente, Avelar12, com sua técnica de umbilicoplastia restaurando o conceito de umbigos mais naturais.

Determinados em nossa humilde forma de enxergar a onfaloplastia como um importante tempo cirúrgico da dermolipectomia abdominal, vimos por meio desta técnica facilitar a confecção do umbigo, que seria a nosso ver o melhor resultado da onfaloplastia, seja do ponto de vista estético como de facilidade cirúrgica.


MÉTODO

Foram observadas todas as evoluções cirúrgicas de dermolipectomias abdominais em mulheres desde 1980 até a presente data, totalizando 1976 cirurgias em que a neoonfaloplastia pela técnica do duplo V foi imposta.

A técnica consiste em iniciar com o isolamento do umbigo da parede abdominal antes do avanço do retalho dermogorduroso. Este isolamento deve ser conciso e completamente circunspeto ao umbigo, a demarcação deve ser em forma de triângulo (Figura 1) sobre a pele e, uma vez realizadas as três incisões, superior, lateral direita e lateral esquerda (triângulo isósceles de base inferior), estas devem ser interligadas e com amplo descolamento do pedículo umbilical, temos assim isolado o umbigo.


Figura 1 - Marcação prévia da abdominoplastia e neo-onfaloplastia.



Após a plicatura dos músculos reto abdominais, se houver indicação, mede-se a espessura do retalho dermogorduroso da parede abdominal descolada (Figura 2); dividindo-se esta medida pela metade, teremos a medida final que deverá ter o pedículo umbilical (deste modo, após a fixação final, a sutura umbilical estará a meia altura da espessura total da parede abdominal, facilitando assim o encobrimento do umbigo e suas cicatrizes). Com esta medida estabelecida, fixa-se superiormente e inferiormente a fáscia umbilical na fáscia aproximada do reto abdominal, isto é, sobre a nova linha alba.


Figura 2 - Espessura do tecido abdominal (pele e tecido gorduroso).



Após o avanço e fixação final do retalho dermogorduroso da parede abdominal, marca-se sobre esta o ponto central onde estará localizada a projeção do futuro umbigo (Figura 3). Deste ponto demarcam-se, em direção superior, duas linhas de forma final igual à letra "V" com ângulo de 60° (sessenta graus), cujo vértice destas linhas é o ponto central já descrito (Figura 4). Incisa-se sobre estas linhas e, levantando-se o retalho formado em "V" com cuidados táticos cirúrgicos, promove-se a retirada de um "cilindro" gorduroso em direção perpendicular à pele, formando assim um "tubo" onde passará o pedículo umbilical que se encontra abaixo, já anteriormente preparado. Neste momento, após rigorosa hemostasia, com pinça longa e forte "pesca-se" o pedículo umbilical que sobra da fáscia dos músculos reto abdominais e expõe-se externamente a este orifício criado. Verificam-se, então, as dimensões relativas dos dois retalhos cutâneos (retalho da pele do abdome em "V" e retalho triangular cutâneo do umbigo) e procede-se à fixação com fio 4-0 de nylon do vértice inferior do retalho cutâneo no vértice inferior do orifício cutâneo da parede abdominal. Em seguida, leva-se a ponta do retalho em "V" cutâneo abdominal para o centro do umbigo e demarca-se o ponto "GF" (Figura 5), imediatamente após procede-se a duas incisões que partem do ponto "GF", uma em direção ao ângulo superior direito do retalho cutâneo do umbigo e a outra contralateralmente ao ângulo superior esquerdo do retalho cutâneo do umbigo, confeccionando-se um retalho cutâneo como a letra "V" dentro do triângulo cutâneo, transformando o umbigo em uma letra "V", cujo vértice é o ponto "GF" (Figura 5).


Figura 3 - Marcação prévia do local da incisão em "V" da neo-onfaloplastia.


Figura 4 - Incisão realizada, retalho em "V" confeccionado.


Figura 5 - Umbigo tracionado com retirada de "V" de pele superior e com retalho sobreposto.



Faz-se, então, a sutura final com fios de nylon 5-0, onde finalmente observa-se que o umbigo de forma triangular está com suas cicatrizes como que mergulhadas no segmento cutâneo do abdome, sendo composto de um retalho superior com pele do abdome e um retalho inferior com pele do próprio umbigo (Figuras 6 e 7), procede-se ao curativo seco de proteção.


Figura 6 - Sutura final (aspecto final do pós-operatório).


Figura 7 - Pós-operatório imediato.



RESULTADOS

Nos casos operados, observou-se que, na totalidade de pacientes incluídos nesse estudo, o resultado desta técnica demonstrou harmonia final e evitou-se a retração umbilical constritiva pós-cicatricial tão comum nas técnicas circulares ou em fenda (Figuras 7 a 14). Restringimos o uso desta técnica às pacientes que não são portadoras de hérnias umbilicais e que não possuam quaisquer alterações sobre a pele do umbigo, sejam elas de ordem inflamatória, infecciosa, parasitária ou fúngica. Deve-se, também, observar a higiene que a paciente tem consigo mesma, sendo esta uma forma de prever possíveis intercorrências no pós-operatório imediato.


Figura 8 - Pré-operatório e pós-operatório de 6 meses.


Figura 9 - Pré-operatório e pós-operatório de um ano.


Figura 10 - Pré-operatório e pós-operatório de 8 meses.


Figura 11 - Pré-operatório e pós-operatório de um ano.


Figura 12 - Pré-operatório e pós-operatório de 9 meses.


Figura 13 - Pré-operatório e pós-operatório de um ano.



O exame clínico pré-operatório deve ser rigoroso, pois a não observância dos fatores acima descritos não só acarretará no insucesso da cirurgia, como na complicação da dermolipectomia abdominal, podendo pôr em risco até a existência futura do pedículo umbilical.

Consideramos nossos resultados válidos e sugerimos a pesquisa e desenvolvimento de formas alternativas dentro destas para melhora da forma alcançada.

As Figuras 8 a 13 ilustram alguns casos dessa casuística.


DISCUSSÃO

A simplicidade da técnica do duplo V proposta justifica sua utilização na presente evolução técnica, por nós denominada de Técnica de Neo-onfaloplastia do Duplo "V", baseados nos resultados obtidos em nossa experiência clínico-cirúrgica, levando-nos a crer que se justifica por si só o seu emprego. Sabemos que a neo-onfaloplastia é uma grande preocupação durante a realização da dermolipectomia abdominal e nossa propositura técnica levará, sem dúvida, uma contribuição maior ao arsenal terapêutico do cirurgião plástico.

Em nosso trabalho, chamamos a atenção para neoformação em duplo "V" do umbigo, que cujas cicatrizes finais permanecem escondidas dentro do próprio umbigo e seu resultado tardio, em cerca de um ano, leva a um grau de satisfação bem próximo do ideal, seja do próprio paciente, como do cirurgião responsável e, por isto, a indicamos em nosso serviço com a frequência merecida.


REFERÊNCIAS

1. Weinhold: Zentrab F. Gynäk. 1901;38:1332. Apud: Thorek. Plastic surgery of the breast and abdominal wall. Springfield: Thomas;1942.

2. Prudente A. Dermolipectomia abdominal com conservação da cicatriz umbilical. Anais do II Congresso Latino-Americano de Cirurgia Plástica. Buenos Aires:Guilherme Karast;1943. p.468.

3. Andrews JM. Nova técnica de lipectomia abdominal e onfaloplastia. Memória do 8o Congresso Latino-Americano de Cirurgia Plástica. Cuba,1956.

4. Pontes R. Plástica abdominal: importância de sua associação à correção das hérnias incisionais. 1996;53:85-92.

5. Lintilhac JP, Tichadou M. The umbilicus in plastic surgery of the abdomen. Transposition or reconstruction. Maroc Med. 1966;45(490):266-71.

6. Barraya L, Deleuze J. Chirurgie abdominale, reparations parietales et dermolipectomies. Nouvel ombilic. Mem Acad Chir. 1967;93(15/16):473-9.

7. Barraya L, Nakpane ET. Abdomen musculum abdomen pendulum. Reparations - nouvel ombilic. La Prense Med. 1968;76(48):2287-9.

8. Callia W. Contribuição para o estudo da correção cirúrgica do abdome pêndulo e globoso. Técnica original. [Disertação]. São Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;1963.

9. Callia W. Uma plástica para cirurgia geral. Med Hosp.(São Paulo) 1967;1:40-1.

10. Pitanguy I. Abdominoplastias. O Hospital. Junho;1967.

11. Pitanguy I. Abdominal lipectomy: an approach to it through an analysis of 300 consecutive cases. Plast Recontr Surg. 1967;40(4):384-91.

12. Avelar JM. Abdominoplasty: systematization of a technique without external umbilical scar. Aesth Plast Surg. 1978;2:141-51.









1. Cirurgião Plástico; Chefe dos Serviços Integrados de Cirurgia Plástica - Hospital Ipiranga (SICP-HI).
2. Cirurgião Plástico; Pós-Graduação pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
3. Cirurgião Plástico; Regente dos SICP-HI.

Correspondência para:
Vidal Guerreiro
Rua Bom Pastor, 1426 apto 43 - Ipiranga
São Paulo, SP, Brasil - CEP 04203-001
E-mail: vidalguerreiro@yahoo.com.br

Artigo recebido: 3/6/2010
Artigo aceito: 9/9/2010

Trabalho realizado nos Serviços Integrados de Cirurgia Plástica - Hospital Ipiranga, São Paulo, SP, Brasil

Artigo submetido pelo SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBCP

 

Previous Article Back to Top Next Article

Support

Indexers

Licença Creative Commons All scientific articles published at www.rbcp.org.br are licensed under a Creative Commons license