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Geral - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

O cirurgião plástico é visto pelo paciente como um cirurgião que excuta as cirurgias com cicatrizes inaparentes. Desta forma, quando o paciente passa em consulta pré-operatória com o cirurgião plástico, por vezes, imagina somente os resultados do procedimento, colocando as cicatrizes em um segundo plano.


OBJETIVO

Avaliar a percepção pré-operatória dos pacientes que serão submetidos à cirurgia plástica ambulatorial.


MATERIAL E MÉTODOS

Foram entrevistados 190 pacientes, no período de fev/2009 a dez/2009, atendidos no ambulatório de cirurgia plástica. A maioria dos pacientes era do sexo feminino (65%) e tinha a idade entre 13 e 87 anos, sendo a média de 45,3 anos. Vinte e quatro por cento dos pacientes tinham cursado o ensino médio. Foram excluídos pacientes com dificuldade cognitiva e analfabetos, os quais não conseguiriam ler e interpretar as questões, e também foram excluídos pacientes que se negaram a preencher o questionário. Foi realizada análise descritiva e qualitativa dos dados.


RESULTADOS

Verificou-se que a maior parte dos pacientes não havia sido submetido à cirurgia plástica previamente (71%). A maioria dos pacientes apresentava nevus (35%), seguidos por biopsia de pele (19%), cisto sebáceo (14%); ceratose seborreica (10%) e outras lesões (28%). Observou-se que 48% dos pacientes se preocupavam moderadamente com a cicatriz e 18% se preocupavam muito. Porém, somente 34% dos pacientes prestaram mais atenção no momento da consulta em que o cirurgião falou sobre a cicatriz quando comparado à atenção dada aos comentários do cirurgião sobre detalhes do procedimento. Quanto questionado sobre a cicatrização, 54% dos pacientes revelaram que ela estava associada ao tipo de procedimento que seria realizado, 11% acham que a sua cicatrização é tão boa que não irá ficar cicatriz, 10% acham que se a cirurgia for feita por cirurgião plástico não ocorrerá cicatriz e 24% acham que irá ficar uma marca. Com relação ao tempo de cicatrização, a maioria (46%) respondeu que o processo cicatricial duraria 5 semanas ou menos. Sobre as possíveis complicações, 37% dos pacientes pensam que não há complicações inerentes aos procedimentos, 26% responderam que poderá haver discromia, 13% que poderá formar queloide e 26% indicaram outras complicações. Ficou demonstrado que, apesar da maioria dos pacientes ter o ensino médio completo, ao responder o questionário, demonstraram pouco conhecimento sobre cicatriz no momento prévio à cirurgia. Muitos pacientes não deram importância no momento que o cirurgião falou sobre a cicatriz, sendo alarmantes os fatos de que ainda 10% dos pacientes acreditam que o cirurgião plástico não deixa cicatriz e 37% que não há complicação no processo de cicatrização. Quando cruzamos os dados obtidos do questionário podemos observar que, quanto maior o grau de escolaridade, maior a preocupação com o aspecto da cicatriz, porém este comportamento não confere com o gênero masculino, que não altera o grau de preocupação. Observamos, também, que tanto as mulheres quanto os homens prestam mais atenção na intervenção + ou 60% de cada gênero que será realizada durante a explicação do cirurgião plástico na consulta. Ao analisarmos o tempo de cicatrização que a população tem em seus conceitos, concluímos que, quanto maior o grau de escolaridade (superior), mais há associação com um tempo menor (de até 3 meses) da cicatrização; sendo esta associação a demonstrada em aproximadamente 60% dos que tem nível superior. Em relação às complicações, a maioria das mulheres (42%) e 34% dos homens referem que não há complicação na cicatrização. Os homens acham que pode não cicatrizar em 8% e nas mulheres apenas 4%. Com estes dados, podemos observar que os homens têm maior conscientização das complicações em relação às mulheres, talvez devido ao fato de se envolverem mesmo com a mídia fantasiosa sobre cirurgia plástica. Quando se compara a etnia e as possíveis complicações, 21% dos pacientes pardos mencionaram o queloide como possível complicação, já 20% dos brancos referiam a discromia da pele como possível complicação. Ficou demonstrado que os pacientes que haviam sido submetidos a um procedimento cirúrgico prévio tinham maior conscientização sobre a cicatriz ao responderem que a mesma ocorre após um procedimento, independe do médico ser um cirurgião plástico (44%). Esta mesma resposta foi assinalada por 33% dos que nunca haviam se submetido à cirurgia.


CONCLUSÃO

É importante enfatizar aos pacientes a existência da cicatriz resultante e suas principais complicações (hipertrofia, alargamento e discromia) em cirurgia plástica ambulatorial.

 

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