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Extremidades - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

A gluteoplastia de aumento com implantes torna-se mais frequente a cada ano no Brasil. A técnica intramuscular, assim como o desenvolvimento de novos implantes, proporcionou grande melhoria nos resultados, com baixos índices de complicações. As principais são seroma e deiscência, que em sua maioria não alteram o resultado estético. Tal fato não ocorre com a hérnia do implante e seu mal posicionamento, que geram resultados ruins, necessitando frequentemente de reoperação. Esta complicação acomete 3 a 5% dos pacientes operados, segundo as principais séries, e representa um desafio ao cirurgião assistente, que deve decidir entre o tratamento em dois tempos operatórios, deixando a paciente sem implantes durante quatro a seis meses ou tratamento em tempo único, sob o risco de recidiva com poucas chances de uma nova correção.


OBJETIVO

Dividir nossa experiência no tema e propor uma sistemática de avaliação dos pacientes acometidos de hérnia ou mal posicionamento do implante, para que possamos oferecer um tratamento planejado, seguro e com bons resultados.


MATERIAL E MÉTODOS

Para avaliação de assimetrias, hérnias ou mal posicionamento dos implantes utilizamos tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética. Nos pacientes que foram previamente submetidos a gluteoplastia com técnicas diferentes da intramuscular, propomos a troca do implante para o plano intramuscular. Pacientes com hérnia do implante secundariamente à técnica intramuscular são avaliados quanto a espessura do músculo glúteo máximo remanescente. Caso este músculo tenha 2,5 cm ou mais de espessura, é possível a dissecção de nova loja intramuscular profundamente à capsula para introdução do novo implante no mesmo tempo cirúrgico. Naqueles casos aonde o músculo glúteo máximo abaixo do implante encontra-se demasiadamente delgado (<2,5cm), é mais seguro retirar o implante e aguardar 4 a 6 meses para nova operação com a via intramuscular. Finalmente, em pacientes que apresentem a musculatura gravemente afetada pela cirurgia prévia, aonde não é possível a utilização da via intramuscular, utilizamos a técnica submuscular, espeitando o nível do cóccix com limite inferior do implante por corresponder a emergência do nervo ciático.


Figura 1



RESULTADOS

Com esta metodologia, conseguimos oferecer tratamento em tempo único para a maior parte dos pacientes com segurança e sem recidiva da hérnia. Todas as pacientes operadas em tempo único seguindo os critérios acima evoluíram bem e foram submetidas a tomografia de controle. As pacientes com alto risco de recidiva mostraram-se insatisfeitas com a decisão da retirada do implante, desistindo da segunda cirurgia em 50% dos casos. A hérnia do implante glúteo, quando presente, tende a piorar com o tempo, pois como a loja intramuscular possui maior pressão que o tecido celular subcutâneo, é natural que o implante ganhe progressivamente este espaço. Uma vez no subcutâneo, as bordas do implante tornam se visíveis e palpáveis, além da tendência de ptose por falta de sustentabilidade. Não existe consenso ou critérios objetivos para avaliação e tratamento desta complicação.


Figura 2



CONCLUSÃO

Propomos uma avaliação objetiva do paciente com hérnia do implante glúteo e planejamento cirúrgico baseados em critérios definidos por exames de imagem (TC ou RNM). Acreditamos que este algoritmo minimiza o risco de recidiva da complicação e permite tratamento em tempo único, sempre que possível.

 

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