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Extremidades - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Os traumas penianos e uretrais, bem como as malformações congênitas ou adquiridas do aparelho reprodutor e urinário são relativamente comuns e exigem do urologista e do cirurgião plástico habilidade e técnica adequadas na tentativa de reparação efetiva, tanto na forma quanto na função. Traumas penianos e uretrais com avulsão ou lacerações importantes, as malformações congênitas, ressecções oncológicas e transexualidade são as causas mais frequentes de reconstrução peniana. O resultado ideal da reconstrução peniana compreende os seguintes pontos: neouretra peniana que permita a micção em posição ortostática, recuperação da sensibilidade protetora e erógena, firmeza e ereção, e a estética, tanto do neopênis quanto da área doadora. Alguns retalhos microcirúrgicos são utilizados na reconstrução peniana ou neofaloplastia. Nosso trabalho descreve a utilização do retalho fasciocutâneo microcirúrgico de braquial como opção para reconstrução peniana.


OBJETIVO

O objetivo do trabalho é relatar um caso de reconstrução peniana utilizando o retalho microcirúrgico de braquial em um indivíduo de 20 anos, com história de extrofia vesical, realizado no Instituto de Cirurgia Plástica Santa Cruz.


MATERIAL E MÉTODOS

A cirurgia foi realizada no Hospital Cruz Azul, em novembro de 2009, pela equipe de Cirurgia Plástica do Instituto de Cirurgia Plástica Santa Cruz.


RESULTADOS

A.B.P., sexo masculino, 20 anos, estudante, natural e procedente de São Paulo, com história de extrofia vesical corrigida na infância e hipoplasia peniana, foi encaminhado ao serviço para realização de neofaloplastia. Ao exame físico geral, não apresentava alterações clínicas dignas de nota. Ex. abdominal e de região genital: cicatriz horizontal em abdome inferior decorrente da correção de extrofia vesical. Presença de cistostomia em parede abdominal anterior na altura do umbigo (Mitrofanoff). Pênis hipoplásico de cerca de 2 cm, uretra não visualizada, testículos tópicos, assimétricos, sendo o direito maior que o esquerdo. Realizados exames pré-operatórios, dentre eles uroressonância para programação cirúrgica, na qual não foi identificada uretra compatível para recanalização, sendo contraindicada pela equipe da Urologia a confecção de neouretra. O paciente, no entanto, desejava reconstrução peniana para função sexual, mantendo função urinária prévia pelo Mitrofanoff. Foi, então, programado procedimento cirúrgico com utilização de retalho fasciocutâneo braquial, com preservação do pedículo vascular e aposição de prótese peniana em único tempo. A reconstrução peniana iniciou-se com a confecção de retalho fasciocutâneo braquial com pedículo neurovascular. O retalho tinha cerca de 15 cm de comprimento e 12 cm de largura. Foi, então, realizada incisão circular em região genital e inguinal direita, com dissecção e identificação e isolamento dos corpos cavernosos, da veia safena, artéria epigástrica superficial e nervo íleo-inguinal. Realizada montagem de neofalo com retalho em torno da prótese peniana. Implantação de neofalo na área receptora e realizadas anastomoses neurovasculares com pontos simples de mononylon 9-0. Hemostasia rigorosa e rafia por planos. Paciente bastante satisfeito com resultado refere no momento (6 meses pós-operatório) sensibilidade no neofalo e função sexual ativa.


Figura 1 - Aspecto intra-operatório demonstrando ressecção do retalho braquial, com exposição de pedículo neurovascular.


Figura 2 - Pós-operatório de 4 meses, demonstrando bom aspecto de neofalo.


Figura 3 - Imagem demonstrando resquícios de pênis hipoplásico em base de neofalo.



CONCLUSÃO

O trabalho reporta um caso bem sucedido de reconstrução peniana, mesmo sem reconstrução de uretra, mas como o desejo do paciente era a presença do órgão sexual e a atividade sexual, o objetivo proposto pela equipe foi alcançado, com resultados satisfatórios.

 

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