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Extremidades - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Os desenluvamentos são traumatismos incomuns de partes moles, associados a elevados índices de morbidade, que podem acometer diversos segmentos corporais. São caracterizados como avulsões da pele e tecido subcutâneo com o plano da fáscia muscular, ocorrendo lesão dos vasos perfurantes fasciocutâneos e musculocutâneos segmentares. Envolvem a aplicação de forças súbitas e de alta intensidade, com vetores tangenciais, a partir da compressão, estiramento, torção e fricção das estruturas. A extensão das lesões pode variar de pequenas áreas de continuidade com retalhos viáveis até grandes esmagamentos de membro com necessidade de amputação. Fraturas e lesões vasculares estão frequentemente associadas. Também são chamados de ferimentos descolantes.


OBJETIVO

Este trabalho tem como objetivo a revisão de 36 casos de desenluvamentos de tronco e membros atendidos no Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa de São Paulo. Serão analisados os principais fatores relacionados ao trauma, momento de avaliação e condutas pela cirurgia plástica e comparados a evolução, opções de tratamento e complicações entre pacientes avaliados de maneira precoce ou tardia.


MATERIAL E MÉTODOS

Análise retrospectiva de 36 casos de desenluvamentos de tronco e membros atendidos entre 2002 e 2008 em hospital terciário. Definiu-se como precoce a avaliação realizada no intervalo de até 12 horas após o trauma e como enxertia primária, aquela realizada com pele proveniente do retalho traumático.


RESULTADOS

Foram atendidos 36 pacientes, dos quais 69,4% eram do sexo masculino e 30,6% do sexo feminino. A idade média observada foi de 30 ± 3 anos e o período médio de internação de 53 ± 8 dias. A superfície corporal lesada média foi de 8,5 ± 0,8%. Em dois casos, o desenluvamento foi fechado (lesão de Morel-Lavallée) e nos demais, aberto. Em 41,67% dos casos, houve traumatismos associados (TCE,TRM, trauma torácico, abdominal e pélvico). Os membros inferiores foram os locais mais acometidos, em 94,4% isoladamente ou em associação com lesões em outros locais. A avaliação da cirurgia plástica foi solicitada tardiamente em 20 casos. Nos pacientes avaliados precocemente, a enxertia primária foi possível em 10 dos 16 casos, sendo observado menor tempo de internação hospitalar e menor número de enxertias por paciente.


Figura 1 - Mecanismo de trauma por aprisionamento do membro sob pneu em movimento.


Figura 2 - Mecanismo de trauma por aprisionamento do membro sob pneu em movimento, detalhe.



CONCLUSÃO

O tratamento de pacientes vítimas de desenluvamento requer uma abordagem multidisciplinar e respeito a princípios cirúrgicos básicos, como a correta determinação das áreas viáveis e o restabelecimento da cobertura cutânea das áreas cruentas. Idealmente, o cirurgião plástico deve avaliar precocemente a lesão, para permitir o uso da pele desenluvada como enxerto. Observa-se que as lesões são agravadas pelos erros e atrasos nas condutas iniciais, com maior morbidade associada e maiores tempos de internação e reabilitação.

 

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