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Tórax e Tronco - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Os autores, além de cirurgiões plásticos, médicos legistas, fizeram um levantamento no Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte (referência de todo o Estado de Minas Gerais) nos últimos 10 anos, levantando todos os casos de morte que deram entrada ao IML após a realização de lipoaspiração. Vale ressaltar que não é obrigatória a realização de necropsia nestes casos, desta forma, o número de óbitos encontrados não corresponde à realidade.


OBJETIVO

O principal objetivo seria o levantamento das reais causas de morte nestes casos, bem como suas prevenções. Se existe ou não diagnóstico de embolia gordurosa ou de outras causas e se existe possibilidade de medidas profiláticas.


MATERIAL E MÉTODOS

Foram levantados todos os casos de óbitos que deram entrada ao IML de Belo Horizonte, desde janeiro de 2000, o que corresponde a aproximadamente 60.000 necropsias. Dentre elas, separamos as que foram decorridas do procedimento de lipoaspiração, por meio de especificação ou relatório médico anexo à guia para realização de necropsia emitida pelo delegado responsável pelo caso.


RESULTADOS

Foram levantados sete casos de óbitos pós-lipoaspiração que deram entrada no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte, entre eles: 1 caso comprovado de embolia gordurosa, 1 caso de perfuração de alça intestinal, 3 casos de tromboembolismo pulmonar, 1 por hemorragia e 1 de causa indeterminada. Cada um destes casos com peculiaridades próprias. O único caso de causa indeterminada ocorreu em uma lipoaspiração sob anestesia local, com injeção de grande volume de anestésico tópico, nestes casos, a causa sai como indeterminada, apesar do forte indício de cardiotoxicidade provocada pela droga anestésica. Um trabalho similar realizado pelo órgão correspondente aos nossos IMLs de Nova York verificou que a mudança da técnica "seca" para a tumescente diminuiu a incidência de embolias gordurosas, porém o aumento do uso de anestesia local nos Estados Unidos, principalmente por médicos não cirurgiões plásticos, tem aumentado os óbitos provocados por intoxicações anestésicas na lipoaspiração. O uso de medicamentos anticoagulantes, o uso de meias pneumáticas e a movimentação precoce (deambulação), entre outras, são medidas úteis e de grande importância profilática.


Figura 1


Figura 2



CONCLUSÃO

De acordo com os dados encontrados, concluímos que a lipoaspiração não é uma técnica isenta de complicações, podendo, inclusive, causar o óbito. Além disso, a escolha da técnica é de fundamental importância para o êxito da cirurgia. A técnica tumescente comprime os vasos sanguíneos, diminuindo a possibilidade de embolia gordurosa; as medidas profiláticas para prevenção da TEP (tromboembolismo pulmonar) contribuem satisfatoriamente diminuindo sua probabilidade; e a realização da lipoaspiração sob anestesia local deve obedecer a critérios rigorosos dentre a dose tóxica do medicamento.

 

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