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Tórax e Tronco - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

As alterações estéticas do abdome estão entre as queixas mais frequentes das mulheres. Destacam-se o acúmulo de gordura localizada, que pode estar presente desde a adolescência, aumentando com a idade, e alterações pósgestacionais, com excesso de pele e diástase de músculos reto-abdominais. Fatores genéticos, excesso de peso e sedentarismo também influenciam o aspecto do abdome ao longo da vida. A cirurgia plástica do abdome teve início há mais de um século, destacando-se na evolução até a técnica atual os trabalhos de Callia e Pitanguy, com plicatura dos músculos reto-abdominais e incisão horizontal na pele. O advento da lipoaspiração foi um marco, permitindo melhorar o contorno abdominal, especialmente em pacientes nuligestas. Na última década, Saldanha publicou a lipoabdominoplastia, cirurgia que combina ambos os procedimentos em um tempo cirúrgico, preservando os vasos perfurantes abdominais, permitindo melhorar o contorno corporal de forma segura. A padronização da avaliação de resultados após cirurgia estética é uma dificuldade que tem sido encontrada pelos autores ao longo dos tempos, por ser baseada em critérios, na maioria das vezes, subjetivos. Ferreira propôs, em 2000, uma escala para avaliação do resultado estético após cirurgia de redução mamária baseada em cinco critérios visuais (volume, forma, simetria, aréola e cicatriz), tornando mais objetiva a opinião do avaliador, e facilitando a realização de estudos comparativos e análises estatísticas. Essa escala mostrou-se útil também na avaliação de resultados de cirurgias de mastoplastia de aumento, mesmo após perda ponderal, destacando-se a simplicidade na sua execução, e a possibilidade de ser realizada pela própria paciente no momento da consulta ou, posteriormente, por avaliação fotográfica. Escala semelhante foi desenvolvida para a avaliação de abdome.


OBJETIVO

O objetivo do presente estudo foi utilizar esta escala para a avaliação de resultados estéticos de cirurgias plásticas no abdome, testada em 20 pacientes submetidas à abdominoplastia tradicional, e 20 pacientes submetidas à lipoaspiração, por meio de fotografias de resultados tardios.




MATERIAL E MÉTODOS

Foram avaliadas, retrospectivamente, 40 pacientes, mulheres, entre 18 e 53 anos, 20 submetidas à abdominoplastia tradicional, e 20 submetidas à lipoaspiração, por meio de fotografias de resultados tardios. A avaliação foi fotográfica. Foram organizadas as fotografias das pacientes nas posições frente, perfil e oblíquas, no pré-operatório, e em outro diapositivo, as mesmas posições com doze meses ou mais de pós-operatório. Cada avaliador deu uma nota para cada um dos seguintes parâmetros: volume do subcutâneo, contorno lateral, excesso de pele, umbigo e cicatriz em parede abdominal, segundo a escala de avaliação, resumidamente: 0 = ruim, 1 = regular, 2 = bom e/ou cicatriz inexistente. Foi fornecida ao avaliador uma tabela explicativa orientando a pontuação sobre cada parâmetro. A soma da nota dos parâmetros confere a nota final, que pode variar de 0 a 10. Três avaliadores cirurgiões plásticos não participantes do procedimento cirúrgico fizeram uma avaliação individual utilizando a escala, sem identificação das pacientes ou do momento de avaliação (pré ou pós-operatório de 12 meses).


RESULTADOS

No grupo que fez abdominoplastia (grupo A), a média das notas no pré-operatório foi de 2,85 ± 1,12 e, no pós-operatório, foi de 6,75 ± 1,07? significativamente maior. No grupo de lipoaspiração (grupo L), a média das notas no pré-operatório foi de 5,27 ± 1,48 e, no pós-operatório, foi de 7,73 ± 1,23, diferença também significante. As médias das notas dos grupos A e L foram significativamente diferentes entre si no pré-operatório, e a diferença entre o pré e o pós foi maior no grupo A.


CONCLUSÃO

A escala de avaliação de resultados estéticos apresentada foi eficiente na análise de cirurgias realizadas no abdome. No pré-operatório, o grupo que realizou abdominoplastia tinha nota significativamente menor que o grupo que fez lipoaspiração? por outro lado, a abdominoplastia proporcionou ganho maior da nota no pós-operatório, apesar da tendência para nota menor devido à presença da cicatriz.

 

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