Skull, Face and Neck -
Year2010 -
Volume25 -
(3 Suppl.1)
Moises de Melo, Denise Vilas Boas de Campos Lima, João Medeiros Tavares Filho, Carlos Alberto Porchat, Nícia Rodrigues dos Santos Colucci, Guilherme Leonel Arbex
INTRODUÇÃO
A região do couro cabeludo pode ser acometida por diversas patologias: tumorais, congênitas, traumáticas e cicatriciais. As características locais do couro cabeludo, como a distensibilidade restrita da pele e o grande impacto estético nas alterações em cor, textura e presença de fâneros, especialmente cabelos, fazem com que a reparação desta região represente um desafio peculiar na prática do cirurgião plástico. Diversos tratamentos cirúrgicos são descritos, como a reparação imediata com retalhos de avanço ou de rotação, com ou sem necessidade de enxertos. Entretanto, em lesões extensas podem ocorrer resultados estéticos limitados ou indesejáveis, com alterações importantes de contorno, com áreas de depressão, alterações de coloração e áreas de alopécia. A utilização de expansores de tecidos contribui ao arsenal terapêutico, permitindo a melhor correspondência em textura, cor, sensibilidade e fâneros com a expansão de tecidos adjacentes ao defeito. O processo de expansão tecidual pode ser repetido até que o resultado desejado seja obtido.
OBJETIVO
Avaliar o uso dos expansores de couro cabeludo nas mais diferentes patologias e sequelas que acometem tal região, numa série de 10 pacientes.
Figura 1 - Caso 1. Sequela cicatricial pós-queimadura.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram tratados 10 pacientes com lesão em couro cabeludo com expansão tecidual. As sequelas teciduais foram decorrentes de: queimadura (3), trauma (1), exérese cirúrgica de hemangioma (2) e esclerodermia em golpe de sabre (4). A idade dos pacientes variou de 7 a 50 anos, sendo 5 pacientes do sexo masculino e 5 do sexo feminino.
RESULTADOS
Em nove pacientes, uma única etapa de expansão tecidual foi suficiente para um bom resultado estético e funcional. Em um paciente, foi necessária mais uma etapa de expansão tecidual (reexpansão). Em um caso, ocorreu exposição do expansor no final do processo de expansão, com retirada imediata, sem interferência no resultado estético final. Em nosso entendimento, tal exposição deveu-se ao excesso de expansão, ultrapassando a capacidade de distensão do couro cabeludo.
Figura 2 - Caso 1. Resultado final.
CONCLUSÃO
A expansão tecidual bem realizada, com os cuidados técnicos adequados e de forma bem planejada, é o procedimento de escolha na reparação de lesões médias e grandes no couro cabeludo. Permite cobertura tecidual adequada com um retalho expandido versátil, bem vascularizado e que preserva a sensibilidade e as características locais do couro cabeludo.