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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

O nariz ocupa posição de destaque na face, por situar-se numa posição central e pela sua projeção natural. O conhecimento anatômico das cartilagens laterais inferiores e suas variações é de suma importância para o planejamento e a execução de uma rinoplastia, seja ela reparadora ou estética.


OBJETIVO

Descrever a anatomia das cartilagens laterais inferiores e suas variações numa população afrodescendente.


MATERIAL E MÉTODOS

Foi utilizada uma amostra de conveniência que consistiu em 11 cadáveres adultos do Instituto Médico Legal Nina Rodriguez, Salvador - BA. Para a avaliação das cartilagens, realizou-se a dissecção nasal através de exorinoplastia, com exposição das cartilagens laterais inferiores e liberação de suas conexões. Os parâmetros avaliados foram: forma anatômica da crura lateral? largura e comprimento máximos da crura lateral; forma anatômica da crura média/medial; posição dos "pés" da crura medial (afastados ou unidos); comprimento total da crura médio/medial e a distância entre o ângulo do septo caudal e dômus. Uma régua milimetrada foi o instrumento utilizado para as mensurações.


RESULTADOS

Foram avaliados 8 cadáveres do sexo masculino e 3 do sexo feminino, sendo 3 negros e 8 pardos, com idade estimada entre 20 e 60 anos. A forma convexa das cruras laterais foi predominante. A forma côncava ocorreu unilateralmente em dois casos. Quanto à crura médio/medial, do lado direito, 54% apresentaram o formato convexo, 27% côncavo e 19% retilíneo, e do lado esquerdo, 54% eram convexas, 19% côncavas e 27% retilíneas. As formas côncavas foram observadas em 3 casos unilateralmente, ocorrendo a combinação côncava-convexa por duas vezes e côncava-retilínea em um indivíduo. Em um caso, as cruras médio/medias apresentaram-se côncavas bilateralmente. Os "pés" da crura mediais estavam unidos em 80% da amostra e separados em 20% dos casos. A relação entre o ângulo do septo caudal e o dômus encontrada foi de 4 a 10 mm (média = 6,89 ± 2,03 mm). A média encontrada nas mulheres foi 4,00 ± 3,94 e 7,28 ± 2,14, nos homens.






Figura 1 - Comprimento máximo da crura lateral (A); largura máxima da crura lateral (B).


Figura 2 - Comprimento da crura média/medial (dos pés até o dômus).



CONCLUSÃO

O estudo apresentou-se em concordância com a maioria dos parâmetros anatômicos descritos pela literatura. As variações encontradas podem ser resultado da grande miscigenação da população analisada. O conhecimento anatômico detalhado do arcabouço nasal e suas variações é de extrema importância para um adequado planejamento com abordagem efetiva sobre as deformidades anatômicas, aumentando a previsibilidade no pós-operatório, sem levar a um prejuízo da função.

 

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