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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2010 - Volume 25 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Segundo Mintz et al., as reconstruções das paredes orbitárias visam à reposição dos conteúdos orbitários herniados? evitar enoftalmia, diplopia e distopia? retornar os músculos extraoculares a suas funções fisiológicas normais e fazer uma barreira contra infecção das cavidades sinusais. Atualmente, os materiais mais utilizados para a reconstrução das paredes orbitais medial e inferior fraturadas são: cartilagem auricular, tela de titânio, polietileno de alta densidade Medpor (Porex®) e telas compostas por materiais absorvíveis (ácido poligalático e ácido poliglicólico), porém a literatura mundial necessita da análise prospectiva e qualitativa da reconstrução.


OBJETIVO

Comparar, prospectivamente, as reconstruções das fraturas de assoalho e parede medial de órbita com cartilagem auricular, tela de titânio e Medpor e traçar o perfil epidemiológico dos pacientes vítimas deste tipo de trauma.


MATERIAL E MÉTODOS

Análise prospectiva de 38 pacientes tratados cirurgicamente devido a fratura de assoalho e/ou parede medial de órbita uni ou bilateral, associada ou não a outras fraturas de ossos da face, constatada por meio de tomografia computadorizada. Todos os casos foram avaliados com base em protocolo específico para vítimas de traumatismos agudos na face do Serviço de Cirurgia Plástica da PUC-Campinas, setor de Crânio-maxilo-facial. Nestes pacientes, foram utilizados, para reconstruções das paredes orbitárias, enxerto de cartilagem conchal ou placa de titânio ou Medpor, no período de 4 de abril de 2007 a 16 de junho de 2009.


Figura 1 - Tela de titânio.


Figura 2 - Cartilagem auricular.



RESULTADOS

Dos 38 pacientes submetidos à reconstrução de assoalho de órbita, em nosso serviço, 30 eram do sexo masculino? 19 eram brancos. O mecanismo de trauma que prevaleceu foi o de acidentes envolvendo motocicletas (36,84%). No momento do trauma, 36,84% estavam alcoolizados. Cinco pacientes apresentaram fraturas bilaterais, 17 na órbita direita e 16 na esquerda. Sete (18,42%) pacientes fraturaram apenas o assoalho orbital, enquanto 13 (34,21%) fraturaram este e a parede medial da órbita e 19 (50%), o assoalho e a parede lateral. Vinte e cinco (65,78%) pacientes fraturaram outros ossos da face. Para a reconstrução do assoalho orbital, foi utilizado acesso subciliar em 29 (72,5%) casos e transconjuntival em 11 (27,5%), utilizando-se enxerto autólogo de cartilagem conchal em 23 (60,52%) pacientes, tela de titânio em 11 (28,94%) e Medpor em 8 (21,05%). Dentre os pacientes reconstruídos com cartilagem conchal, 4 apresentaram hematoma retroauricular e 1 apresentou exposição escleral transitória? dos reconstruídos com tela de titânio, 1 apresentou exposição escleral transitória, 1, proptose devido à neoplasia e 1, diminuição da acuidade visual devido a toxoplasmose (não relacionados ao trauma).


Figura 3 - Medpor.



CONCLUSÃO

Constatou-se predomínio das fraturas unilaterais, em assoalho e parede lateral da órbita, em homens brancos vítimas de acidente motociclístico, com associação importante de uso de bebida alcoólica e outras fraturas concomitantes. O material que menos apresentou complicações pós-operatórias foi o Medpor, porém necessita-se de maior casuística. O presente estudo abre perspectivas para outros sobre materiais para reconstrução orbitária.

 

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