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Carta ao Editor - Ano 2017 - Volume 32 - Número 2

http://www.dx.doi.org/10.5935/2177-1235.2017RBCP0051

Prezado Editor,

Gostaria de elogiar os autores do trabalho intitulado "Fatores de risco para infecção em crianças e adolescentes com queimaduras: estudo de coorte", publicado na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (volume 31, número 4, páginas 545 a 553, 2016). O trabalho destaca-se por mostrar os fatores preditivos para infecção em crianças e adolescentes com queimaduras internados na Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, MG. Entretanto, seria recomendado observar algumas características do trabalho. O estudo trata-se de uma série prospectiva de casos, e não um estudo de coorte como mencionado pelos autores no título. Portanto, não é um estudo para determinar fatores de risco, mas fatores preditivos ou associados.

Um estudo de coorte tem um delineamento específico. No modelo mais simples de estudo de coorte, formam-se, pelo menos, dois grupos, os "expostos" e os "não expostos", de modo que os resultados em um e em outro sejam comparados. No caso de uma pesquisa sobre os efeitos do fumo, por exemplo, as pessoas que nela participam são divididas inicialmente em dois grupos: os grupos de expostos (fumantes) e não expostos (não fumantes)1. No caso do estudo publicado, nós já temos os doentes (pacientes queimados) e foram analisados os fatores associados às complicações infecciosas. Além disso, no presente estudo, os principais fatores preditivos para infecção em queimados foram o tempo de internação e a superfície corporal queimada, pois esses fatores permaneceram significativos após análise multivariada. Esses dados coincidem com outros estudos2-5.

O tempo de internação destacou-se como principal fator preditivo para infecção. Essa determinação foi importante, pois é um fator passível de intervenção e diminuição, ao contrário da superfície corporal queimada, que é algo inerente à lesão. Portanto, este resultado do estudo reforça a necessidade de se buscar sempre a diminuição do tempo de internação desses doentes nas Unidades de Queimados em todo o Brasil. Umas das possíveis maneiras para se conseguir essa diminuição seria: estruturação de equipe inteiramente voltada para o fechamento precoce das feridas; criação de bancos de pele; implementação do acompanhamento ambulatorial com supervisão médica constante nos curativos e ampliação da assistência social após a queimadura.


REFERÊNCIAS

1. Pereira MG. Métodos empregados em epidemiologia. In: Pereira MG. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1999.

2. Soares de Macedo JL, Santos JB. Nosocomial infections in a Brazilian Burn Unit. Burns. 2006;32(4):477-81. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.burns.2005.11.012

3. Macedo JLS, Rosa SC, Santos JB. Complicações infecciosas e fatores preditivos de infecção em pacientes queimados. Rev Bras Cir Plást. 2007;22(1):34-8.

4. Macedo JL, Santos JB. Predictive factors of mortality in burn patients. Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 2007;49(6):365-70. PMID: 18157403 DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0036-46652007000600006

5. Macedo JLS, Santos JB. Complicações infecciosas em pacientes queimados. Rev Bras Cir Plást. 2006;21(2):108-11.












1. Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil
2. Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, São Paulo, SP, Brasil
3. Escola Superior de Ciências da Saúde, Brasília, DF, Brasil
4. Hospital Regional da Asa Norte, Brasília, DF, Brasil
5. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, Brasília, DF, Brasil

Instituição: Hospital Regional da Asa Norte, Brasília, DF, Brasil.

Autor correspondente:
Jefferson Lessa Soares de Macedo
SQS 213 Bloco H Apto 104, Asa Sul
Brasília, DF, Brasil CEP 70292-080
E-mail: jlsmacedo@yahoo.com.br

Artigo submetido: 25/12/2016.
Artigo aceito: 11/4/2017.
Conflitos de interesse: não há.

 

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