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Editorial - Ano 2016 - Volume 31 - Número 3

http://www.dx.doi.org/10.5935/2177-1235.2016RBCP0050

Grande parte do conhecimento na história da humanidade se deve às pesquisas com seres humanos. Entretanto, está repleta de casos de violação da dignidade humana e da integridade da pesquisa.

É uma atividade em franco crescimento, passou na modernidade de atividade amadora para universitária e industrial. No entanto, vários problemas têm surgido relacionados aos interesses dos patrocinadores, principalmente a indústria farmacêutica, que investe muito e, por isso, procura encurtar o caminho para obter lucro. Ademais, a modernidade é um período de grandes mudanças, em relação ao número de pessoas no mundo e às condições de desenvolvimento pessoal e social. Este rápido crescimento levou ao estresse e tensão, e, finalmente, à interrupção das ligações que unem a sociedade. É importante avaliar como a ciência tem afetado a vida das pessoas e como se têm percebido as mudanças1.

Estudos realizados no mundo desenvolvido, especialmente nos EUA, mostram que o público em geral percebe a ciência de forma positiva, todavia, revelam que conhece pouco sobre os detalhes do conhecimento científico quanto ao padrão complexo organizado no mundo, da dinâmica da ciência e tecnologia, das descobertas e inovações, da formação e gestão, das conexões e do impacto da ciência na sociedade1,2.

Os resultados apresentados durante a World Conference on Science1,3 mostram que a média mundial de gastos em pesquisa e desenvolvimento em termos de percentagem do produto interno bruto de cada região (PIB) alocado para a ciência é de 1,1%. Os Estados Unidos dedicam 2,5%, o Japão e os países recém-industrializados 2,3%, 1,8% na Europa Ocidental, a América Latina 0,3%.

Os gastos dos EUA em pesquisa e desenvolvimento representam 37,9% do total mundial, na América Latina é de 1,9%. Pesquisa da Battelle Memorial Institute revelou em que proporções cada setor econômico absorve os pesquisadores no mundo: 40% estão nas universidades, 39% na indústria (dos quais 25% trabalham em multinacionais), 14% em instituições de pesquisa e 7% em órgãos governamentais. Quanto às áreas de atuação, 54% deles trabalham em pesquisa aplicada; 23%, em pesquisa básica; 12%, em desenvolvimento primário; e 12% em consultoria e outras funções de apoio. Quando perguntados sobre qual o maior desafio às atividades de pesquisa e desenvolvimento no mundo hoje, a maioria dos pesquisadores respondeu que são os limites de fundos internos e externos1,4.

Os esforços de ciência e tecnologia nos países em desenvolvimento são direcionados para a resolução de problemas relacionados com a saúde, alimentação e nutrição, abrigo, etc.; elementos de infraestrutura, como energia, comunicações e transportes; e áreas relacionadas com as características e recursos do país1.

Definir o que pesquisar é influenciado por vários fatores, entre eles os interesses do pesquisador e os interesses coletivos. Em relação ao pesquisador, alguns fatores interferem na qualidade das pesquisas, a exemplo da disponibilidade de tempo, pois o pesquisador tem vários empregos e incorpora as atividades de pesquisas; o financiamento, a inserção social, o emprego, a condição socioeconômica e o pertencimento a uma comunidade científica específica4.

No Brasil 90% dos cientistas estão empregados em instituições de ensino superior e são responsáveis quase pela totalidade da produção científica. Existe o crescimento paralelo da pós-graduação e da ciência no país4. A ciência brasileira cresceu ao longo dos anos devido a vários motivos, todavia, principalmente em função do crescimento da indústria farmacêutica e das pesquisas com novos fármacos e biotecnologia.

Ao entrarmos no terceiro milênio, pretende-se que o desenvolvimento seja voltado para a "qualidade" da vida, em vez da "quantidade" da vida. Este é o desafio para a nossa civilização, para a cultura e para a ciência1.


REFERÊNCIAS

1. UNESCO. World Conference on Science: science for the twenty-first century: a new commitment. Paris: UNESCO, 2000 [Acesso 9 Ago 2016]. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001207/120706e.pdf

2. Beetlestone JG, Johnson CH, Quin M, White H. The Science Center Movement: contexts, practice, next challenges. Public Underst Sci. 1998;7(1):5-22.

3. Mayor Zaragoza F, Forti A. Science and power. Paris: Unesco Publishing; 1995.

4. Martelli-Junior H, Martelli DRB, Quirino IG, Oliveira MCLA, Lima LS, Oliveira EA. Pesquisadores do CNPq na área de medicina: comparação das áreas de atuação. Rev Assoc Med Bras. 2010;56(4):478-83.


KÁTIA TORRES BATISTA
Editor Associado - RBCP

 

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