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Artigos - Ano 2004 - Volume 19 - Número 2

RESUMO

Os autores apresentam os estudos e resultados obtidos após a avaliação de 730 casos operados de hipertrofia mamária, no período de janeiro de 1995 a dezembro de 2001, no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE). As pacientes e a técnica cirúrgica são analisadas em seus mais importantes detalhes, ressaltando os cuidados necessários na avaliação clínica pré-operatória, ato cirúrgico e pós-operatório bem conduzidos, para que os resultados sejam satisfatórios, obtendo mamas de formato natural, manutenção da função de lactação e sensibilidade areolomamilar, obtenção de cicatrizes discretas ou imperceptíveis.

Palavras-chave: Hipertrofia mamária; ptose mamária; tratamento; mamaplastia redutora; satisfação da paciente

ABSTRACT

The authors present the studies and results obtained after the assessment of 730 cases operated on for breast hypertrophy, from January 1995 to December 2001, at Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE). The patients and the surgical technique are analyzed in their most significant details, stressing the care necessary in well conducted preoperative clinical evaluatum, surgery and postoperative care, to attain satisfactory results and natural shaped breasts, maintenance of lactation function and areolomamillary sensitivity, with subtle or non-apparent scars.

Keywords: Breast hypertrophy; breast ptosis; treatment; reduction mammaplasty; patient satisfaction


INTRODUÇÃO

A mamaplastia redutora é a principal cirurgia procurada por pacientes no ambulatório de cirurgia plástica, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, sendo realizadas entre 10 a 15 cirurgias mensais. As pacientes desejam diminuir o tamanho da mama por razões físicas e psicológicas.

O culto à forma física, promovido pelos meios de comunicação, a associação entre beleza física e sucesso profissional, social e amoroso fazem com que aumente a solicitação de cirurgia por fatores estéticos.

Pacientes queixando-se de desconforto físico devido ao peso das mamas, lombalgias, peso nos ombros, sendo também observados: má-postura, como cifose dorsal e lordose lombar, sulcos ou marcas nos ombros pelas alças do sutiã e dermatites na região do sulco submamário, que representam alterações funcionais, devendo a cirurgia plástica corrigir a hipertrofia mamária, o agente causal dessas deformidades.

No exame da mama é realizada a inspeção com a paciente em pé ou sentada, quando são avaliados o grau de hipertrofia e ptose mamária, a simetria, a qualidade e alterações de pele (cicatrizes e estrias), a coloração e formato do complexo areolomamilar (CAM), os mamilos (evertidos, planos, invertidos, hipertróficos), a junção medial dos sulcos inframamários, a relação continente-conteúdo. Durante a palpação, deve-se avaliar a consistência (glandular, mista, adiposa), sensibilidade, presença ou ausência de tumorações na mama, linfonodos axilares e secreções à expressão mamilar. Realizar medidas da fúrcula esternal aos mamilos e da distância intermamilar.


Fig. 1 - Marcação preconizada por Pitanguy e modificada por Castro com incisões curvilíneas (à esquerda); resseção do pólo inferior em quilha (à direita).


Figs. 2a e 2b - Visão frontal de paciente de 26 anos em pré-operatório de quatro anos.


Figs. 2c e 2d - Paciente em perfil, em que foram ressecados 560 g na mama direita e 460 g na mama esquerda
.

As hipertrofias podem ser acompanhadas por ptose mamária, conforme classificou Binet(1), em 4 (quatro) graus:

Grau I - borda inferior da mama, até 2 cm do sulco inframamário.
Grau II - borda inferior da mama encontra-se a mais de 2 cm do sulco inframamário, mas não ultrapassa o rebordo costal.
Grau III - borda inferior da mama entre o rebordo costal e o umbigo.
Grau IV - borda inferior da mama, abaixo do umbigo.

Deve-se avaliar a morfologia da mama em proporção ao tórax, tamanho e peso da paciente, e estar ciente da importância do conhecimento da irrigação e inervação da mama. As anastomoses vasculares são abundantes, principalmente ao nível do CAM. Há de se ressaltar a sensibilidade da região areolomamilar, dada principalmente pelo ramo cutâneo lateral do 4º nervo intercostal.

Quanto à consistência, Galtier(1) classificou as mamas histologicamente em:

a) Hipertrofia glandular pura da puberdade ou verdadeira.
b) Hipertrofia glandular mista (glandular e adiposa), encontrada principalmente após gravidez e lactação.
c) Hipertrofia adiposa pura ou falsa, encontrada em pacientes pré-menopáusicas ou de idade avançada.


Figs. 3a e 3b - Visão frontal de paciente de 41 anos em pré e pós-operatório de um ano.


Figs. 3c e 3d - Paciente em perfil, em que foram ressecados 770 g na mama direita e 750 g na mama esquerda.



A técnica de mamaplastia redutora adotada em nosso serviço segue a marcação idealizada por Pitanguy(2), modificada com incisões curvilíneas, conforme descrito por Castro(1). A ressecção de tecido mamário é realizada de forma clássica, segundo a técnica de Pitanguy(2) com ressecção em quilha, ou modificada com ressecção plana, variante I de Pontes(3). A modelagem do tecido mamário é realizada em conjunto com a pele, sem descolamento entre eles.

No pós-operatório o curativo é mantido com fitas adesivas microporosas, substituídas a cada sete dias. Após 24 horas de pós-operatório retira-se o curativo elástico algodoado, que é trocado pelo sutiã pós-cirúrgico, tendo então alta hospitalar. O repouso das suturas resultará em cicatrizes mais discretas.

As mamaplastias podem apresentar basicamente as seguintes complicações: hematomas, deiscências, infecções, necroses, assimetrias e cicatrizes inestéticas que geralmente incomodam mais o cirurgião que a paciente. Algumas medidas profiláticas podem ser tomadas visando evitá-las, como: uso de uma técnica adequada, ausência de tensão nas suturas, menor traumatismo dos tecidos cutâneos.


OBJETIVO

O objetivo deste estudo foi atestar a grande aplicabilidade da técnica cirúrgica de Pitanguy(2) e suas modificações, obtendo resultados satisfatórios nos diversos tipos de apresentação de hipertrofias mamárias, considerando que as mamaplastias são realizadas pelos residentes do 3º ano de cirurgia plástica, auxiliados e supervisionados pelas equipes e residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto. Grande parte de nossas pacientes é portadora de gigantomastias, sendo realizadas grandes ressecções para conseguir forma agradável, chegando em 31% a proporção dos casos em que foram ressecados mais de 1.000 g de tecido mamário. Complicações imediatas e tardias são analisadas, e o resultado final não foi comprometido, sendo demonstrado pelas pacientes altos graus de satisfação em 85% dos casos.


MÉTODO

Foi realizado estudo retrospectivo de 730 pacientes, submetidas à redução mamária, no período de janeiro de 1995 a dezembro de 2001, sendo as pacientes avaliadas quanto à idade (Fig. 4), forma das mamas, consistência, simetria e grau de ptose mamária operadas pela técnica de Pitanguy(2), e analisadas em relação à quantidade de tecido mamário ressecado, ao grau de satisfação da paciente, avaliação objetiva, complicações imediatas e tardias.


Fig. 4 - Distribuição de mamaplastias redutoras por faixa etária.



RESULTADOS

A análise evidenciou que 63% das pacientes apresentavam-se na faixa etária de 20 a 40 anos (Fig. 4), 70% das mamas era de consistência mista, 34% apresentavam algum grau de assimetria. Foi empregada a técnica de Pitanguy(2) clássica com ressecção em quilha do tecido mamário em 25% dos casos, sendo realizada ressecção plana em 75% das pacientes. A média de tecido ressecado no estudo realizado foi de 800 g por paciente (Fig. 5). Intercorrências imediatas foram encontradas em 14% dos casos, sendo representadas principalmente por discreta deiscência na região do "T" invertido e hematomas, com evolução satisfatória. Complicações tardias ou seqüelas foram observadas em 16% dos casos, envolvendo alterações de sensibilidade e posicionamento do CAM e assimetria mamária. As pacientes referem altos graus de satisfação (Fig. 6), com 85% dos casos situados entre bons e ótimos.


Fig. 5 - Quantidade de tecido mamário ressecado por paciente.


Fig. 6 - Grau de satisfação das pacientes.



CONCLUSÃO

As pacientes que solicitam a mamaplastia, por motivos funcionais ou não, estão sempre desejando o melhor resultado estético. A mamaplastia é uma troca de mamas cuja forma desagrada a paciente por mamas com excelente forma, aspecto e consistência, porém com cicatrizes, que geralmente são de boa qualidade quando de uma cirurgia bem conduzida. A técnica cirúrgica proposta por Pitanguy(2) é de fácil execução e padronização, podendo obter-se resultados semelhantes quando realizadas por diferentes cirurgiões, mesmo aqueles em treinamento, sendo bem aplicável para os diversos tipos e formas de mama.


BIBLIOGRAFIA

1. Castro CC, Melki LAH. Aspectos atuais do tratamento das hipertrofias e ptoses mamárias. J Bras Gin. 1977;83:241-57.

2. Pitanguy I. Mamoplastia: estudo de 245 casos consecutivos e apresentação de técnica pessoal. Rev Bras Cir. 1961;42:201-20.

3. Pontes R. Reduction mammaplasty - Variations I and II. Ann Plast Surg. 1981;6:437-44.

4. Castro CC. Mamaplastia redutora nas hipertrofias mamárias. Rev Col Bras Cir. 1975;2:134-7.

5. Castro CC. The value of non-prefixed marking in reduction mammaplasty. Aesth Plast Surg. 1984;8:237-41.

6. Georgiade NG, Georgiade GS, Riefkoh R. Esthetic breast surgery. In: McCarthy JG Plastic Surgery. Philadelphia: WB Saunders Company; 1990. p.3839-97.

7. Keppke EM, Matta S. Plásticas de redução mamária. In: Mélega JM, Zanini AS, Psillakis JM. Cirurgia plástica reparadora e estética. 2.ed. Rio de Janeiro. MEDSI; 1992. p.707-24.

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9. Schwartzmann E. Die tecnik der Mammaplastik. Chirurg. 1930;2:932-43.

10. Spear SL, Little JW. Reduction mammoplasthy and mastopexy. In: Grabb W & Smith JW. Plastic Surgery. 5.ed. Philadelphia: Lippincott-Raven; 1997. p.725-55.

11. Strombeck JO. Mammaplasty. In: Grabb W & Smith JW. Plastic Surgery. 5. ed. 1997; p.726-8.










I. Membro Aspirante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Médico Residente da Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ.
II. Professor Assistente da Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ. Mestre em Cirurgia Plástica. Membro Titular da SBCP.
III. Professor Livre Docente e Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Membro Titular da SBCP.

Endereço para correspondência:
Rodrigo Corteletti Ronconi
Av. 28 de Setembro, 77
Rio de Janeiro - RJ - 20550-030
Fone/fax: (21) 2587-6675
e-mail: mrcronconi@ig.com.br

Trabalho realizado no Hospital Universitário Pedro Ernesto - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ

 

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