ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Impresso: 1983-5175

Artigo Anterior Próximo Artigo

Artigo de Revisão - Ano 2005 - Volume 20 - Número 2

RESUMO

Vários artigos são publicados sobre ritidoplastia, porém, poucos abordam seus resultados tardios. O objetivo deste artigo é tentar avaliar os resultados do face lift e definir qual é o resultado tardio. A avaliação da ritidoplastia não é tarefa fácil. Diferentes métodos são utilizados, porém não há parâmetros que possam avaliar o produto final, a não ser que um resultado ruim ocorra. O processo do envelhecimento não cessa após a cirurgia de rejuvenescimento facial. Vários fatores, de modo importante, fazem parte do resultado e da duração dos efeitos da cirurgia: as diferentes idades em que os pacientes são submetidos ao face lift, as diferentes propostas cirúrgicas, a experiência e o bom senso do cirurgião. Sendo assim, este assunto torna-se extremamente interessante para o cirurgião plástico. Neste artigo, tentamos expor alguns destes aspectos. Seria esta uma discussão filosófica?

Palavras-chave: Ritidoplastia. Face, cirurgia. Rejuvenescimento. Envelhecimento da pele. Músculos faciais, cirurgia

ABSTRACT

Many articles have been published about rhytidoplasty, however, few report on the long-term results. The objective of this article is to try to evaluate the results of face lifts and to define long-term results. The evaluation of rhytidoplasty is not an easy task. Different methods are utilized but there are no parameters that can assess the final product unless the result is bad. The process of aging does not cease after the facial rejuvenating surgery. Several important factors are involved in the result and the duration of the surgical effects including: the different ages at which patients are submitted to face lifts, the different surgical goals and the experience and good sense of the surgeon. Thus, this subject is of special interest to the plastic surgeon. In this article we tried to explore some of these aspects. Is it possible this is a philosophical discussion?

Keywords: Rhytidoplasty. Face, surgery. Rejuvenation. Skin aging. Facial muscles, surgery


Vários artigos sobre ritidoplastia têm sido publicados nos periódicos científicos1-15. Todavia, a maioria não trata dos resultados tardios. A avaliação de uma ritidoplastia não é tarefa fácil.
Igualmente difícil é julgar e definir o que é um resultado tardio. Primeiramente, quais itens precisam ser levados em consideração? Em segundo lugar, o resultado final deve ser considerado após quanto tempo de cirurgia? Em terceiro lugar, os resultados tardios devem ser considerados após quanto tempo de cirurgia? Finalmente, quem deve julgar os resultados do face lift?

A ritidoplastia é uma cirurgia cujo objetivo é o rejuvenescimento e o realce da aparência facial. Quando se pode avaliar o resultado final? três meses? seis meses? um ano após a cirurgia?

O face lift é realizado em pacientes com idades que variam aproximadamente entre quarenta e setenta anos ou até mais. Não podemos comparar, a longo prazo, os resultados de pacientes que foram submetidos ao face lift na faixa etária de quarenta anos, com os resultados daqueles operados na faixa etária dos sessenta anos. Quando uma pessoa de boa aparência é operada, geralmente, o resultado é considerado excelente, ao contrário de uma pessoa considerada feia, que pode ficar pior após a ritidoplastia, julgando-se então não o resultado, mas sim a aparência pessoal. O tempo altera os traços de beleza, assim como os traços de feiúra. O face lift pode acentuar a beleza, assim como a feiúra.

Cirurgião, paciente, parentes e conhecidos, julgam o resultado da ritidoplastia. A avaliação do médico é guiada pela sua experiência, bom senso, sensibilidade estética e prática. Ele é capaz de analisar se poderia ter feito mais, ou se fez mais do que o necessário, ou se o resultado é o melhor que o paciente poderia alcançar. Até para um cirurgião plástico, não raramente, não é fácil avaliar os seus resultados. Para julgar o resultado, precisa-se observar a aparência pré-operatória, ainda que, geralmente, a única opinião que possa ser emitida é se o resultado é suficiente ou não.

A avaliação da cirurgia feita pelo paciente é determinada pelas suas expectativas pré-operatórias. Isto é importante, pois o cirurgião deve analisá-las antes da cirurgia. As expectativas pré-operatórias desempenham um papel importante, devido a sua subjetividade, o paciente pode ficar insatisfeito queixando-se que esta ou aquela área não foi apropriadamente tratada, declarar que determinadas rugas não foram corrigidas adequadamente e, até mesmo, afirmar que a cirurgia não foi suficiente. Se o paciente está bem informado, ele(a) terá condições de entender as suas limitações e melhor apreciar o resultado. Quando se percebe que a expectativa está além da realidade, não se deve realizar a cirurgia.

A opinião de terceiros depende principalmente da satisfação que o paciente demonstra. Infelizmente há muitas opiniões tais como: "O cirurgião poderia ter tirado um pouco mais, você não concorda?" Ou "você realmente fez um face lift? Você não mudou nada".Ou "Você está bem, porém estas rugas sobraram".

Vários aspectos interferem com o resultado e a análise do face lift, tais como a idade do paciente, a quantidade de gordura e sua distribuição, qualidade da pele, estrutura óssea e estruturas profundas da face. A qualidade da pele interfere não apenas a curto prazo, como também na duração do resultado da ritidoplastia. Independentemente da flacidez cutânea que pode ocorrer após ritidoplastia, o envelhecimento da pele em si prejudica o resultado a longo prazo. O tratamento apropriado da pele pode preservar uma boa aparência tardiamente. O acúmulo de gordura localizado é outro problema que faz parte do processo de envelhecimento e não pode ser prevenido. O avanço das técnicas cirúrgicas não impede ou diminui a velocidade do envelhecimento da pele e do processo de acúmulo de gordura.

Durante as primeiras três semanas, o paciente está ansioso para "ver" o resultado da sua cirurgia. Depois deste período, ele(a) precisa "ver e sentir alguma mudança". O paciente aceita estar um pouco inchado, mas após trinta ou quarenta e cinco dias, ele(a) precisa parecer perfeito. Neste período, o paciente está apto a usar maquiagem e arrumar seus cabelos, a fim de realçar sua aparência e camuflar alguns sinais que a cirurgia possa ter deixado, como por exemplo, uma cicatriz ou equimose. A atenuação dos sinais da idade causada pela cirurgia permite que o paciente acentue os resultados utilizando cosméticos. Por outro lado, o resultado pode ser enganador, se o paciente mantiver seus cabelos brancos e uma maquiagem não adequada, por exemplo.

Em nossa opinião, o resultado do face lift pode ser avaliado em quatro à seis meses após a cirurgia. Durante este período, o edema diminui e as cicatrizes devem não ser mais tão aparentes. Se não houver complicações, as fotos de pós-operatório podem ser realizadas. O paciente não aguarda calmamente, por mais do que este período, para apreciar o resultado final.

Quanto tempo dura o efeito do face lift? Ninguém tem certeza. O processo natural do envelhecimento não cessa após a cirurgia. Não há parâmetros para se determinar quando e quais itens devem ser avaliados após o face lift. Um ano após a cirurgia pode-se observar uma imperfeição num paciente submetido a extensa intervenção no pescoço. Por outro lado, cinco anos após a cirurgia, outro paciente tem um pescoço perfeito, mesmo tendo sido submetido a uma menor cirurgia. O processo de envelhecimento difere de pessoa para pessoa. Ele atua em diferentes velocidades e em diferentes regiões da face, e é influenciado por vários fatores como: genética, hereditariedade, fatores emocionais, nutricionais e muitos outros. Sendo assim, há pessoas que apresentam diferentes aparências na mesma idade. Se um paciente é operado numa fase da vida em que o processo de envelhecimento é mais rápido, o resultado será inferior ao de um paciente operado num período em que o processo de envelhecimento é mais lento.

A técnica utilizada é um importante fator. O extenso descolamento da pele e o retalho do complexo SMASplatisma proporcionam melhores resultados, assim como resultados mais duradouros. É obvio que uma boa técnica deve ser usada para que se obtenha um bom resultado. Em regra, para se conseguir um resultado final duradouro é necessário que o amplo descolamento do retalho de SMASplatisma tenha sido adequadamente realizado, assim como as lipectomias quando recomendadas. Pequenos procedimentos geram pequenos resultados. Se a cirurgia é insuficiente, o resultado será insuficiente e, após curto período, o paciente ficará frustrado e buscará outro cirurgião a fim de ser apropriadamente operado.

Em artigo anterior7, constatou-se que se os pacientes solicitarem um novo procedimento, antes de cinco anos do primeiro procedimento realizado, é um sinal que a primeira cirurgia não foi adequadamente realizada.

Em vários pacientes, a aparência de alguns anos após a cirurgia é muito mais um resultado do processo de envelhecimento, do que fruto da limitação da técnica cirúrgica. De qualquer forma, pacientes que foram submetidos à ritidoplastia sempre apresentarão uma melhor aparência anos após a cirurgia, se comparados àqueles que não a fizeram. Quanto mais cedo o paciente realizar a ritidoplastia, mais ele(a) obterá vantagens com a cirurgia.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Aston SJ. Platysma muscle in rhytidoplasty. Ann Plast Surg. 1979;3(6):529-39.

2. Baker DC. Minimal incision rhytidectomy (short scar face lift) with lateral SMASectomy. Aesthetic Surg J., 2001;21:68-79.

3. Cardoso de Castro C. The changing role of platysma in face lifting. Plast Reconstr Surg. 2000;105(2):764-77.

4. Cardoso de Castro C. The superficial musculoaponeurotic system in rhytidoplasty. Operative Tech Plast Reconstr Surg. 1995;2:91-8.

5. Cardoso de Castro C. Extensive mandibular and cervical lipectomy. Aesth Plast Surg. 1981;5:239-48.

6. Cardoso de Castro C. The role of the superficial musculo aponeurotic system in face lift. Ann Plast Surg. 1986;16(4):279-86.

7. Cardoso de Castro C, Braga L. Secondary rhytidoplasty. Ann Plast Surg. 1992;29(2):128-35.

8. Connell BC, Marten TJ. Deep layer techniques in cervicofacial rejuvenation. In: Psillakis JM, editor. Deep facelifting techniques. New York: Thieme Medical Publishers;1994. p.161-90.

9. Feldman JJ. Corset platysmaplasty. Plast Reconstr Surg. 1990;85(3):333-43.

10. Guerrero-Santos J, Espaillat L, Morales F. Muscular lift in cervical rhytidoplasty. Plast Reconstr Surg. 1974;54(2):127-30.

11. Hamra ST. The deep-plane rhytidectomy. Plast Reconstr Surg. 1990;86(1):53-63.

12. Mendelson BC. Surgery of the superficial musculoaponeurotic system: principles of release, vectors, and fixation. Plast Reconstr Surg. 2001;107(6):1545-61.

13. Pitanguy I, Pamplona D, Weber HI, Leta F, Salgado F, Radwanski HN. Numerical modeling of facial aging. Plast Reconstr Surg. 1998;102(1):200-4.

14. Pontes R. Extended dissection of the mental area in face-lift operations. Ann Plast Surg. 1991;27(5):439-56.

15. Stuzin JM, Baker TJ, Gordon HL, Baker TM. Extended SMAS dissection as an approach to midface rejuvenation. Clin Plast Surg. 1995;22(2):295-311.










I. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Chefe e Professor da Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ.
II. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Professor Assistente da Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ.
III. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Professora Assistente da Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ.
IV. Membro Aspirante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Médica Residente da Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ.

Correspondência para:
Claudio Cardoso de Castro
Rua Carlos Góes, 375/307 - Leblon
Rio de Janeiro, RJ - Brasil - CEP: 22440-040
Tel: 0xx21 2511-2242
E-mail: cdecastro@uol.com.br

Trabalho realizado na Disciplina de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ.

Artigo recebido: 21/09/2004
Artigo aprovado: 12/12/2004

 

Artigo Anterior Voltar ao Topo Próximo Artigo

Patrocinadores

Indexadores

Licença Creative Commons Todos os artigos científicos publicados em http://www.rbcp.org.br estão licenciados sob uma Licença Creative Commons