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Extremities - Year2013 - Volume28 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Houve aumento expressivo do número pacientes submetidos a cirurgia bariátrica e, consequentemente, do número de cirurgias plásticas reparadoras após grandes emagrecimentos. Esses pacientes sofrem grandes transformações no contorno corporal e podem apresentar problemas psicológicos relacionados à imagem corporal, buscando na cirurgia plástica o tratamento dessas alterações. A dermolipectomia de coxas, ou cruroplastia, técnica descrita inicialmente por Lewis, em 1966, que proporciona melhor contorno às coxas, é uma das cirurgias mais procuradas por esses pacientes.


OBJETIVO

O objetivo desse estudo é avaliar a satisfação com a imagem corporal de pacientes submetidas a cruroplastia após cirurgia bariátrica.


MÉTODO

Trata-se de estudo clínico, primário, prospectivo, longitudinal, controlado, não-aleatorizado e unicêntrico, aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da Universidade Federal de São Paulo. Foram selecionadas 40 pacientes no Ambulatório de Cirurgia Plástica Pós-Bariátrica do Hospital São Paulo, após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. As pacientes foram subdivididas igualmente em 2 grupos: grupo experimento, que incluiu as pacientes submetidas a cirurgia plástica de dermolipectomia de coxas após avaliação inicial; e grupo controle, que incluiu pacientes não submetidas a nenhum procedimento cirúrgico até o final do estudo. Não houve critérios para alocação dos grupos, que foi realizada de forma consecutiva. Os critérios de inclusão foram: gênero feminino, faixa etária entre 35 anos e 50 anos, peso estável há pelo menos 1 ano e índice de massa corporal < 30 kg/m2. Todas as pacientes foram submetidas previamente a cirurgia bariátrica de desvio gástrico em Y de Roux (técnica de Capella) e dermolipectomia abdominal. Foram excluídas gestantes, lactantes e portadoras de doenças sistêmicas não-controladas. Os procedimentos cirúrgicos padronizados foram realizados pela mesma equipe cirúrgica, sob anestesia geral, no centro cirúrgico do Hospital São Paulo. A técnica cirúrgica consistiu na ressecção de pele e tecido subcutâneo excedente na região medial das coxas, hemostasia com eletrocautério e sutura por planos após drenagem com portovac, que foi mantido até que se atingisse débito diário < 30 ml/dia. As pacientes foram submetidas a aplicação do questionário Body Dysmorphic Disorder Examination (BDDE), na primeira avaliação e 3 meses e 6 meses após a cirurgia. O BDDE é um questionário de qualidade de vida específico para o domínio imagem corporal e foi traduzido, validado e adaptado culturalmente por Jorge et al., em 2008. Para análise estatística foi utilizado o teste de G de Cochan. O nível de significância foi estabelecido em 0,05 ou 5%.


RESULTADOS

As características de ambos os grupos foram semelhantes, inclusive a média de idade (44,9 ± 5,87 anos no grupo experimento e 44,2 ± 5,40 anos no grupo controle). O grupo experimento apresentou melhora estatisticamente significante da imagem corporal após procedimento cirúrgico (P = 0,0043) em relação ao grupo controle (P = 0,7165). Na avaliação pré-operatória, somente 4 (26,6%) pacientes mostravam-se satisfeitas com suas imagens corporais. Esse número passou a 11 (73,3%) pacientes após 3 meses do procedimento e mantido após 6 meses. Já no grupo controle, 6 (40%) pacientes estavam satisfeitas na avaliação inicial, não havendo alteração após 3 meses e 6 meses.


CONCLUSÃO

A cirurgia de dermolipectomia de coxas aumentou a satisfação com a imagem corporal em mulheres após cirurgia bariátrica.

 

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