ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Impresso: 1983-5175

Artigo Anterior Próximo Artigo

Tórax e Tronco - Ano 2013 - Volume 28 - (3 Suppl.1)

OBJETIVO

Descrever a técnica de escolha utilizada para tratamento de úlcera sacra por compressão no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Quinta D'Or, associado ao Instituto Ivo Pitanguy.


MÉTODO

Este é um estudo retrospectivo de 18 pacientes portadores de úlcera sacra por compressão, com indicação de tratamento cirúrgico, internados no período de janeiro a dezembro de 2009, nos quais se utilizou a técnica do retalho glúteo de avanço em V-Y fasciocutâneo para fechamento das feridas. O fechamento das úlceras é realizado, na maioria das vezes, em 2 a 3 tempos cirúrgicos, dependendo da extensão da lesão e da evolução do tratamento. O primeiro tempo cirúrgico consistiu em desbridamento dos tecidos desvitalizados, ostectomia, quando necessária, e coleta dos materiais para cultura. Ao final deste, os pacientes foram submetidos a tratamento com curativo V.A.C.®, quando houve sucesso na limpeza inicial da ferida. Quando a ferida continuava com muitos tecidos suspeitos de inviabilidade e processo inflamatório intenso, o paciente foi mantido com curativos locais diários pela enfermagem e o curativo V.A.C.® foi adiado por um tempo cirúrgico. No segundo tempo cirúrgico, foi realizada avaliação da lesão após 3 dias a 5 dias sob pressão negativa na ferida e, então, realizado novo desbridamento e curativo V.A.C.® ou fechamento definitivo da lesão com o retalho glúteo de avanço em V-Y fasciocutâneo. O posicionamento do paciente foi feito em decúbito lateral (evitando o decúbito ventral, que obrigaria outro tipo de abordagem anestésica), após análise da geometria da lesão para o planejamento dos retalhos. Após desbridamento e delimitação do real tamanho do defeito, o retalho V-Y foi então desenhado, com base nas artérias perfurantes da artéria glútea superior. Sua marcação estendeuse por 2 vezes o tamanho do diâmetro do defeito. Temos por rotina marcar ainda 2 cm a 3 cm a mais, para diminuir qualquer tensão na linha de sutura. É importante que o retalho seja grande o suficiente, pois quanto mais amplo maior seu aporte sanguíneo (pelo maior número de perfurantes), e sua linha de sutura ficará posicionada distante do epicentro da ulceração. A pele foi incisada com bisturi de lâmina nº 15. A abertura por planos foi feita com bisturi elétrico até a fáscia muscular, com o cuidado de não biselar para dentro do retalho, pois diminui suas perfurantes. Procedeu-se à hemostasia e foi feita a liberação delicada da fáscia, sem lesão das fibras musculares do glúteo máximo. Realizou-se, então, o avanço medial do retalho com ganchos, evitando o uso de pinças, pois essas são isquêmicas pela compressão dos tecidos, resultando em maior índice de sofrimento nas extremidades. Geralmente, no momento do avanço do retalho, é necessário pequeno descolamento de 1 cm a 2 cm na borda da úlcera, parte medial do retalho, logo abaixo da fáscia muscular, para que não ocorra nenhuma limitação no avanço deste. Finalizando, a sutura foi realizada em dois planos, para diminuir o espaço morto, com fio monocryl 3-0 internamente e náilon 2-0 na pele, em "U", com o nó posicionado fora do retalho, pois é menos isquêmico.


RESULTADOS

A utilização do revestimento cutaneoadiposo da região glútea para fechamento de feridas sacras tem sobressaído como uma boa opção para a recomposição de tais lesões. No grupo de pacientes avaliados, 50% (9 indivíduos) eram do sexo masculino e a média de idade foi de 63 anos, variando de 27 anos a 83 anos. Treze (72%) úlceras tinham mais de 6 cm de diâmetro, sendo, portanto, classificadas como grandes; as outras 5 foram classificadas como moderadas, medindo entre 3 cm e 6 cm de diâmetro. Foi necessária a realização de retalho bilateral em 66% dos casos (12 pacientes), em 2 deles para tratamento de grandes deiscências de um retalho unilateral primário. O curativo pela terapia V.A.C.® foi utilizado em 16 (89%) pacientes, e em 6 deles foi empregado também um dreno a vácuo fechado no pós-operatório. Constatou-se hematoma pós-operatório em 2 (11%) pacientes e deiscência de sutura em 6 (33%), que foram devidamente tratados no centro cirúrgico. O acompanhamento desses pacientes foi feito semanalmente, durante 1 mês a 3 meses de pós-operatório. A alta hospitalar dependeu das condições clínicas. Em casa, esses pacientes eram acompanhados por um sistema do tipo homecare, e a equipe de Cirurgia Plástica era imediatamente acionada a qualquer sinal de alteração na evolução da cicatrização. Os pacientes eram então submetidos a nova avaliação e conduta no ambulatório do hospital.


CONCLUSÃO

O retalho glúteo de avanço em V-Y fasciocutâneo é simples, confiável e extremamente efetivo no tratamento de úlcera sacra por compressão, pois promove cobertura adequada e sem tensão nas linhas de sutura, sem causar maiores morbidades para os pacientes tratados.

 

Artigo Anterior Voltar ao Topo Próximo Artigo

Patrocinadores

Indexadores

Licença Creative Commons Todos os artigos científicos publicados em http://www.rbcp.org.br estão licenciados sob uma Licença Creative Commons