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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2013 - Volume 28 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Hemangioma é o tumor vascular mais comum e a neoplasia benigna mais frequente da infância. Aproximadamente 20% das lesões na região oral e maxilofacial envolvem os lábios. O potencial de involução espontânea faz com que o tratamento ativo de lesões sem risco de vida se torne controverso. Efeitos colaterais da terapia médica e deformidades definitivas causadas pelo tratamento cirúrgico devem ser criticamente considerados quando se indica um método terapêutico. Hemangiomas proliferativos infantis labiais geralmente são tratados por cirurgias. A abordagem terapêutica precoce é justificada pelas condições locais inerentes aos hemangiomas labiais, como deformação das estruturas em crescimento, ulcerações, dores, dificuldade de alimentação e sangramentos. Taxas lentas de regressão e distúrbios psicológicos são frequentes e também estimulam o tratamento definitivo. Durante o procedimento cirúrgico, a ressecção tumoral é o objetivo principal da cirurgia. A quantidade de lábio removida em lesões proliferativas de grande extensão pode ser difícil de avaliar, trazendo risco que pode levar à ressecção exagerada. Isso pode ser problemático, porque o vermelhão labial é único e não encontrado em nenhum outro lugar do corpo. Desse modo, uma vez que não há tecido similar que possa ser facilmente usado para reconstrução do vermelhão, a preservação é essencial para o resultado satisfatório. Deformidade ocasionada pela ressecção labial em excesso requer tratamentos mais complexos quando comparada a abordagens secundárias para ressecções adicionais. Na literatura, poucos são os trabalhos que demonstram séries cirúrgicas para o tratamento do hemangioma labial na fase proliferativa e seus resultados.


OBJETIVO

O objetivo do presente estudo foi realizar uma avaliação crítica da abordagem cirúrgica definitiva para hemangiomas proliferativos labiais, com base em uma pesquisa objetiva.


MÉTODO

De 1997 a 2007, 19 pacientes, com média de 31,3 meses de idade, sendo 15 do sexo feminino, foram submetidos a ressecção cirúrgica do hemangioma labial durante proliferação ou involução, realizada pelo mesmo cirurgião. As lesões estavam localizadas na região labial central (n = 8) e nas regiões laterais (n = 11), sendo lesões 9 no lábio superior e 10, no lábio inferior. Dentre as complicações locais existentes, 5 pacientes apresentavam ulceração, 3 apresentavam sangramento e 2, infecção. O planejamento cirúrgico foi concebido para o tratamento definitivo. Lesões acometendo até 25% do lábio tiveram ressecção completa; em lesões acometendo > 50% do lábio, o objetivo foi alcançar simetria tanto vertical como horizontal, mesmo na remanescência de tecido tumoral. Os princípios cirúrgicos foram mínima ressecção de pele, respeito aos limites da lesão e encurtamento horizontal, se necessário. Após ressecção da lesão, o lábio com tumoração remanescente era 1,5 vez o tamanho do lado do lábio não-afetado. Para avaliar os resultados e validar a indicação, taxas de complicação, contorno labial, aspecto da pele e continência labial foram considerados. Notas para verificar cada status foram idealizadas. Pontuação variou de 1 a 4 (1, piorando; 2, necessidade de reoperação; 3, melhora, com necessidades de procedimentos menores; e 4, melhora, sem necessidade de novos procedimentos).


RESULTADOS

A média do período de acompanhamento foi de 33,9 meses, variando de 6 meses a 10 anos. A média de procedimentos cirúrgicos por paciente foi de 1,10. Ressecção foi completa em 11 pacientes e parcial em 8. Nenhuma complicação importante foi observada. Os resultados foram positivamente avaliados. Pontuação média para o contorno foi de 3,4 (com necessidade de reoperação em um caso), de 3,4 para o aspecto da pele (com necessidade de reoperação em um caso) e de 4 para a continência labial. Três pacientes apresentaram deiscência da sutura do labio inferior, sem necessidade de reoperação. Nenhuma infecção foi observada.


CONCLUSÃO

No manejo dos hemangiomas labiais, o tratamento cirúrgico definitivo pode ser considerado uma alternativa segura e eficaz, com baixa incidência de complicações.

 

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