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Crânio, Face e Pescoço - Ano 2013 - Volume 28 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Dentreas queixas apresentadas pelos pacientes que procuram a cirurgia plástica para realização de rinoplastia estética, o dorso nasal com pouca projeção é uma das mais frequentes, sobretudo em pacientes negros. Em 2000, Erol descreveu a técnica popularizada como Turkish Delight, que consiste na utilização de um enxerto de dorso, composto de cartilagem autógena picada, envolta por um material aloplástico (Surgicel).


OBJETIVO

Avaliar, por meio de tomografia computadorizada e reconstrução tridimensional (3D), os resultados dos enxertos de dorso nasal tipo Turkish Delight modificado.


MÉTODO

Trata-se de um estudo prospectivo, randomizado. A amostra foi composta de 5 pacientes do sexo feminino, provenientes do Ambulatório de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Pedro Ernesto, com indicação de rinoplastia primária. O estudo teve como critérios de inclusão adultos jovens e com dorso nasal baixo e como critérios de exclusão, idade < 18 anos ou > 50 anos, presença de comorbidades, uso de medicações imunossupressoras ou corticosteroides, história de cirurgia ou trauma nasal prévios, qualquer tipo de infecção cutânea ativa, tabagismo e alergia às cefalosporinas (antibiótico utilizado na profilaxia). Todas as pacientes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, aceitando fazer parte do estudo, e foram operadas por um médico especialista em Cirurgia Plástica. Inicialmente, foi realizada rinoplastia aberta, com ressecção da fáscia temporal superficial esquerda nas dimensões de 4 cm x 4 cm. Em seguida, foi realizada ressecção da cartilagem conchal esquerda, que foi picada em cubos de aproximadamente 1 mm x 1 mm. Os enxertos eram compostos pela cartilagem auricular picada envolta por fáscia temporal superficial suturada com fio categute 4-0, atingindo dimensões de 4 cm x 0,5 cm a 0,8 cm. Uma loja para recepção do enxerto foi confeccionada acima do dorso nasal. O enxerto foi então posicionado em sua loja e nenhuma forma de fixação auxiliar foi realizada. O tratamento da ponta e da asa nasal foi individualizado para cada paciente. Ao término da cirurgia foi feito curativo gessado, mantido por 14 dias. Cada paciente realizou dois exames de tomografia computadorizada com reconstrução em 3D, um no pré-operatório e outro 2 meses após a cirurgia.


RESULTADOS

Das 5 pacientes operadas, 1 foi excluída do trabalho por perda do seguimento pós-operatório. Todas as pacientes eram do sexo feminino, com idades entre 23 anos e 37 anos. As dimensões do enxerto após 2 meses da cirurgia foram avaliadas pela tomografia computadorizada. O comprimento do enxerto variou de 36,2 mm a 46,3 mm (média: 40,3 mm). A altura proximal do enxerto variou de 3,6 mm a 6 mm (média: 4,6 mm). A altura distal do enxerto variou de 4,6 mm a 9 mm (média: 6,6 mm). As bordas proximais e distais dos enxertos não foram visíveis em nenhum caso 2 meses após o procedimento. Não houve caso de migração do enxerto. O enxerto permaneceu maleável por 10 dias a 14 dias após a cirurgia, tornando-se firme e imóvel após esse período. Em nenhum caso evidenciou-se repercussão funcional no pós-operatório.


CONCLUSÃO

A técnica de aumento de dorso nasal utilizando enxerto cartilaginoso conchal picado envolto por fáscia temporal superficial (Turkish Delight modificado) mostrou-se um procedimento cirúrgico de média complexidade, reprodutível e com resultados satisfatórios quanto ao ganho das dimensões do dorso nasal. Um outro estudo, com maior amostra e com outros grupos em que se utilizem diferentes tipos de enxerto de dorso, poderia ser útil na comparação entre as técnicas.

 

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