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General - Year2013 - Volume28 - (3 Suppl.1)

OBJETIVO

Relatar a atuação do Banco de Pele Dr. Roberto Corrêa Chem no tratamento das vítimas da tragédia ocorrida na Boate Kiss (Santa Maria, RS), em 27/1/2013.


MÉTODO

É relatada neste trabalho a atuação do Banco de Pele da Irmandade de Misericórdia Santa Casa de Porto Alegre no tratamento das vítimas dessa tragédia.


RESULTADOS

Na madrugada de domingo de 27/1/2013, a tragédia ocorrida na casa noturna Kiss (Santa Maria, RS) paralisou o Brasil. Nesse lamentável evento, um incêndio provocado pela queima de espuma para isolamento acústico durante um show pirotécnico acarretou a morte de mais de 240 pessoas, em sua maioria jovens universitários. Amaioria das vítimas sofreu as consequências da inalação de fumaça contendo gás cianídrico, com repercussões respiratórias e neurológicas graves, mas sem grandes extensões de pele queimada. Diante do quadro clínico grave em que se encontravam os sobreviventes, muitos foram transferidos para grandes centros de tratamento intensivo da capital, Porto Alegre. Entre todas as esferas envolvidas no processo de apoio e contenção de danos, o Banco de Pele Dr. Roberto Corrêa Chem, instalado na Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, foi chamado a prestar auxílio às vítimas, prontamente colocando à disposição seus estoques de pele alógena para transplante. Após a avaliação dos sobreviventes, identificou-se um grupo com necessidade de pele alógena, para o qual foi prestado apoio. Diante do cenário dramático em que se encontravam as vítimas e da iminência de necessidade de grandes quantidades de tecido biológico para o tratamento das queimaduras dos sobreviventes da tragédia, a Central de Transplantes do RS, juntamente com o Banco de Pele da Santa Casa de Porto Alegre, mobilizou os bancos de tecidos do Brasil e da América Latina a prestar apoio e reforçar o estoque do Banco de Pele Dr. Roberto Correa Chem, enviando parte de seus estoques de pele e membrana amniótica. Os bancos do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (São Paulo, SP) e do IMIP (Recife, PE), no Brasil, bem como o Banco de Tejidos Garrahan, da Argentina, INDT, do Uruguai, e Comision Chilena de Energia Nuclear, do Chile, enviaram ao Banco de Pele da Santa Casa de Porto Alegre um total de 48.015,5 cm2 de tecido biológico (pele alógena e membrana amniótica). Quatro vítimas da tragédia com queimaduras externas mais graves receberam pele/membrana do Banco de Pele para enxertia. Uma paciente, com quadro clínico mais grave, foi submetida a dois transplantes de pele. Com um total de 5 transplantes realizados, o Banco de Pele disponibilizou para as vítimas da Boate Kiss 7.340,5 cm2 de tecido biológico. O restante do estoque de tecido enviado por outros bancos de tecido e que está armazenado no banco de pele de Porto Alegre está sendo doado para outros pacientes com queimaduras graves em todo o Brasil.


CONCLUSÃO

O aloenxerto de pele proporciona cobertura cutânea temporária em queimaduras de 2º grau profundas e de 3º grau, auxiliando a cicatrização de feridas, e reduzindo a dor e a taxa de infecção. Além disso, é uma opção de cobertura de baixo custo e, diferentemente do autoenxerto, não adiciona novas áreas cruentas e dolorosas ao paciente. O Banco de Pele Dr. Roberto Corrêa Chem disponibiliza aloenxertos de pele processados em glicerol 85% para tratamento de pacientes em diferentes centros do território nacional. Juntamente com esforços vindos de outros bancos de pele nacionais e de países da América Latina, pôde-se fornecer tecido suficiente para suprir a demanda necessária para atender aos pacientes queimados vitimados na tragédia ocorrida em Santa Maria.

 

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