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Tórax e Tronco - Ano 2012 - Volume 27 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Após a perda ponderal maciça de peso, os pacientes apresentam distorções no contorno corporal devido ao excesso cutâneo e sua flacidez. Cabe à cirurgia plástica tratar essas deformidades.O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou dois inquéritos nutricionais em nível populacional nos anos de 1974/75 e 2002/03, que demonstraram a nítida mudança no padrão alimentar e nutricional nos últimos 29 anos. Os dados demonstram que sobrepeso e obesidade juntos apresentam prevalência de aproximadamente 60%, tanto para homens quanto para mulheres, mesmo na faixa superior dos 80 anos. Atualmente, os procedimentos aplicados a pacientes ex-obesos idosos após terapêuticas bariátricas estão em ascensão. Dados fidedignos quanto a evolução e complicações, nesse grupo populacional, ainda são escassos na literatura.


OBJETIVO

Analisar a evolução e as complicações das abdominoplastias realizadas em pacientes com idade mais avançada após perda ponderal maciça, e compara-las à dos pacientes mais jovens.


MÉTODO

Foram analisados retrospectivamente pacientes de cirurgia para contorno da região abdominal entre julho de 2005 e julho de 2011. Todas as cirurgias foram realizadas pela mesma equipe profissional no Hospital Estadual de Sapopemba, com o grupo Cirurgia Plástica composto por médicos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Foram tabulados os 264 pacientes submetidos a abdominoplastias. As técnicas utilizadas foram: em âncora ou clássica, dependendo do grau de flacidez cutânea. Dentre os pacientes, 95,5% foram submetidos previamente a gastroplastia redutora (com evidência clínica de sucesso para a técnica), e 4,5% a emagrecimento por método não-cirúrgico. Exigiu-se estabilidade do peso por pelo menos seis meses após ter sido atingida a meta de perda ponderal para cada caso. Como critério para divisão dos grupos, a fim de analisar o período pós-operatório e as complicações das abdominoplastias realizadas após perda ponderal maciça, foi estabelecido a idade igual ou maior a 60 anos.


RESULTADOS

Os pacientes que foram incluídos no trabalho totalizaram 264 casos, dentre eles 19 com idade entre 60 e 75 anos (grupo I) e 245 entre 22 e 59 anos (grupo J). O tempo médio empregado nas cirurgias foi de 3 horas e 5 minutos no grupo I, enquanto no grupo J foi de 3 horas e 25 minutos. Em todos os casos, foram utilizados drenos a vácuo. A média de dias internados foi de 2,0 dias para o grupo dos pacientes com menos de 60 anos e 2,2 dias no grupo I. As complicações maiores foram consideradas aquelas com necessidade de novo procedimento cirúrgico, tais como hematomas, deiscências de sutura significativas e necrose marginal de pele, ou nova internação, tais como infecção pós-operatória com repercussão sistêmica e TVP. A taxa de complicações maiores no grupo I foi de 10,52%, enquanto no grupo dos pacientes com menos de 60 anos foi de 10,61%. As complicações menores, tais como seromas, pequenas deiscências nas suturas, cicatrizes hipertróficas, infecções localizadas na área da ferida operatória e granulomas de corpo estranho em tecido celular subcutâneo (TCSC) ocorreram em 41,11% no grupo dos pacientes idosos enquanto que no grupo J essas complicações ocorreram em 30,20%.


CONCLUSÃO

Há uma tendência, de acordo com os resultados obtidos, que pacientes com mais de 60 anos não apresentem maior número de complicações do que o grupo mais jovem. Esses resultados devem contribuir para excluir a variável idade, isoladamente, como um fator de acréscimo de risco pós-operatório, aos pacientes submetidos a abdominoplastias pós perda ponderal maciça.

 

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