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Geral - Ano 2012 - Volume 27 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

Dentre os principais agentes causais de queimadura, a chama e o escaldo predominam globalmente, sendo que promovem 265.000 óbitos por ano. No Brasil, há uma particularidade em relação aos casos de queimadura por chama, já que um dos principais agentes causais responsáveis por esse tipo de queimadura é o álcool. No Brasil o álcool é encontrado no comércio, sendo utilizado para limpezas domésticas e como agente facilitador da combustão principalmente em churrasqueiras, havendo um forte fator cultural para o seu uso rotineiro. Trata-se de um produto com baixo custo e de fácil acesso, aumentando a possibilidade de acidentes principalmente com crianças. Na literatura mundial e nacional, existem poucos relatos de queimaduras com esse tipo de agente, fato que dificulta adequada análise e planejamento de métodos de prevenção.


OBJETIVO

Avaliar os casos de queimadura por álcool que necessitaram de internação num hospital quaternário, demostrando o perfil desse tipo de queimadura em nossa unidade.


MÉTODO

O estudo foi realizado na Unidade de Queimaduras do Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP), onde foi feito um levantamento de dados dos pacientes que sofreram queimaduras e foram internados durante o período de 2001 a 2011. Nesse período, foram avaliadas as queimaduras ocasionadas por álcool e analisado o pwerfil epidemiológico desse tipo de trauma. Os dados foram tabulados em planilha do Excel e submetidos a análise estatística pelo programa Epinfo e Graphpad.


RESULTADOS

Durante o período de janeiro de 2001 até dezembro de 2011, 1358 pacientes foram internados na Unidade de Queimaduras do HCFMUSP, sendo que 26,5% (n=360) foram vítimas de queimaduras por álcool, representado o agente com maior número de casos internados nesse período, sendo 220 do sexo masculino e 140 do sexo feminino. A idade média dos pacientes vítimas de queimadura por álcool foi 27,13 anos. O acidente doméstico e o autoextermínio foram as principais causas. O primeiro atendimento em 172 pacientes foi realizado no setor de queimados do HCFMUSP, enquanto que 178 casos foram encaminhados por outros serviços e em 10 casos não foi possível obter o local do atendimento inicial. Dentre os casos encaminhados por outro serviço, o tempo médio entre o trauma e o atendimento na unidade de queimadura foi de 2,1 dias. A média de superfície corpórea queimada foi de 20,97%. No período de 10 anos, houve 291 altas, 3 transferências e 65 óbitos decorrentes da queimadura por álcool. O álcool foi o agente responsável pelo maior número de óbitos quanto comparado com os outros grupos. O tempo médio de internação foi de 26,55 dias. A queimadura por álcool foi responsável 149 internações em UTI. A maioria dos pacientes que foram a óbito foi vítima de autoextermínio (31 casos). Dentre os pacientes que foram a óbito, 22 tiveram o primeiro atendimento realizado no HCFMUSP enquanto que 43 casos foram atendidos em outro serviço. (p=0,0021).


CONCLUSÃO

Após uma análise de 10 anos de internações por queimadura por álcool é possível perceber que se trata de um problema de grande importância e que são necessárias medidas educacionais modificando o comportamento do indivíduo, adequação do produto dificultando sua combustão e legislações mais rígidas restringindo o uso do álcool, para que dessa forma o álcool deixe de ser um dos grandes vilões.

 

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