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Geral - Ano 2012 - Volume 27 - (3 Suppl.1)

OBJETIVO

Demonstrar a experiência do Hospital da Plástica na segurança do paciente, através de uma sistematização baseada em um protocolo, com aplicação de um questionário e sucessivas checagens, buscando prevenir as causas de possíveis descompensações, que podem passar desapercebidas no risco cirúrgico e demonstrar a redução dos casos de evolução desfavorável após a implementação deste protocolo.


MÉTODO

Realizado estudo retrospectivo, através da revisão sistemática dos dados e taxas de incidência dos fatores de risco para trombose durante o período de estudo de 1 de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2011, com emprego de protocolo de anotação preenchido pelos pacientes.


RESULTADOS

Durante o período de estudo de sete anos, entre 1 de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2011, foram realizadas 14.734 cirurgias plásticas no Hospital da Plástica, sendo 11.502 (78,06%) mulheres. A média de idade dos pacientes foi de 44 anos. Todos os pacientes (n=14.734) fizeram avaliação de risco cirúrgico, sendo que 14.587 (99%) preencheram o questionário, na internação, e passaram por todas as etapas subsequentes do protocolo da instituição. Sintomas como chiado no peito, falta de ar, tosse diária, dor no peito e inchaço nos pés estiveram presentes em 1.750 (12%) questionários; 1.532 (10,5%) pacientes relataram antecedentes de doenças pulmonares. Quanto às doenças cardíacas, 364 (2,5%) pacientes foram acometidos e alergia foi relatada por 6.126 (42%) pacientes. Dentre as alergias, a maior incidência foi medicamentosa, acometendo 6.273 (43%) pacientes, seguido pela respiratória, 5.106 (35%) pacientes e outras, 3.208 (22%) pacientes. 11.815 (81%) pacientes foram submetidos a cirurgias anteriores e 14.223 (97,5%) não apresentaram história de sangramentos anteriores. No que se refere ao uso de medicamentos, 9.044 (62%) usavam, e dentre os medicamentos encontramos a seguinte incidência: anticoncepcionais: 2.625 (18%), betabloqueador: 582 (4%), anti-hipertensivos: 1.894 (13%), hipoglicemiantes: 435 (3%), insulina: 72 (0,5%), anti-inflamatórios: 215 (1,5%), redutores de colesterol: 1.166 (8%), antidepressivos: 1.313 (9%), benzodiazepínicos: 1.313 (9%), hormônios tireoidianos: 1.750 (12%), repositores hormonais: 1.457 (10%), corticoesteroides: 145 (1%), outros: 1.620 (11%). 12.745 (86,5%) pacientes eram não fumantes e 4.862 (33%) consumiam álcool. 1.178 (8%) se submeteram a anestesia anterior recente, dos quais 737 (5%) relataram problemas. 2.646 (23%) das mulheres haviam menstruado há menos de 14 dias, e 4.141 (36%) estavam na menopausa. 14.292 (97%) pacientes realizaram exames pré-operatórios e 442 (3%) haviam viajado de avião há menos de 48 horas. 14.513 (98,5%) pacientes evoluíram satisfatoriamente e 221 (1,5%) com complicações. Dentre as complicações, verificou-se: hipotensão 3978 (27%), hipertensão 2.358 (16%), necessidade de insulina 221 (1,5%), depressão respiratória 294 (2%), reações alérgicas 589 (4%), reoperações por sangramento 4568 (31%).


CONCLUSÃO

A segurança do paciente foi efetivamente aprimorada com o uso do protocolo adotado no Hospital da Plástica, a partir de 2005, que consta do risco cirúrgico, consulta pré-anestésica, "Questionário de Avaliação Pré-Operatória", checagens, visitas periódicas e monitorização horária dos sinais vitais, no pós-operatório. Nos 7 anos de uso desse protocolo, observamos redução das complicações, sendo que 98,5% dos pacientes evoluíram satisfatoriamente, sem complicações e não houve necessidade de encaminhamento de pacientes ao centro de terapia intensiva, nos últimos dois anos. Houve menos de 0,5% de contraindicação às cirurgias pelo intensivista e, cada vez menos, cancelamentos devido aos cuidados crescentes dos cirurgiões. Todos esses fatores determinaram a melhora da qualidade dos cuidados à saúde.

 

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